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Para Renée Mauborgne, inovação tem a ver com estratégia
São Paulo - Entrar em um mercado farto e sem concorrência pode ser o sonho de muitas empresas, mas são poucas as que conseguem romper os limites do "arroz com feijão" para criar um novo espaço lucrativo e exclusivo. Foi pensando nesse desejo que os especialistas de gestão Renée Mauborgne e W. Chan Kim escreveram o livro "A estratégia do Oceano Azul". Lançada no início da década, a obra tornou-se um sucesso entre os homens de negócio.
Desde então, muitos tentam seguir os 150 passos ensinados pelo livro para bater a concorrência. Mas, para Renée Mauborgne, ainda há muita incompreensão sobre o assunto. Não basta inovar, diz a professora emérita de Estratégia no INSEAD (na França). É preciso que a inovação seja necessária. É o que ela mostra nesta entrevista exclusiva ao site EXAME.
Site EXAME - Hoje estamos ouvindo muito sobre inovação no mundo dos negócios. As empresas estão com mais chances de criar um oceano azul?
Mauborgne - É preciso deixar claro que não é qualquer inovação que leva ao oceano azul. Eu lembro de um caso de um homem que gostava de ouvir música enquanto se barbeava. Pensando nisso, ele criou um aparelho elétrico de barbear com um rádio acoplado. Só que, depois que inventou o aparelho, ele percebeu que o som do rádio era abafado pelo que saía pelo aparelho. Esse tipo de inovação é inútil, pois não atende a uma demanda existente. O oceano azul busca a inovação de valor, que corresponde a um mercado real.
Site EXAME - E você poderia citar um exemplo de empresa que conseguiu alcançar o oceano azul?
Mauborgne - O Wii, da Nintendo, que representou um novo conceito de videogame. Com o sensor de movimento que permite que a pessoa atue dentro do jogo, o aparelho revolucionou as capacidades gráficas, as habilidades exigidas no processo, a forma de diversão da família e até os preços. Ele proporcionou diversão para toda a família por meio do movimento, em que você pode jogar tênis, vôlei, golfe. Realmente alcançou o oceano azul.
Site EXAME - É possível treinar os profissionais para criarem novos mercados e oceanos azuis, ou isso depende apenas de criatividade?
Mauborgne - A criatividade é importante nesse processo, mas ela não é tudo. A estratégia é o mais importante para criar um oceano azul e resultar em uma inovação de valor. Eu acho que é possível incentivar e treinar as pessoas por meio da estratégia para que elas pensem com esse objetivo, mas não adianta nada se, em uma reunião, tudo isso é incentivado e, depois dela, todos forem obrigados a voltar à antiga maneira de agir e pensar.
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