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SÃO PAULO (Reuters) - Pela primeira vez após 43 anos de existência, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) deve deixar de ser presidida por um banqueiro e passará ao comando de um executivo de mercado.
Enquanto a proposta não for aprovada pelo Conselho e Assembleia Geral da entidade, a atual diretoria-executiva pode ter seu mandato estendido por mais um ano.
A mudança reflete o processo de profissionalização do sindicato dos donos de bancos --comandada pelo atual presidente da instituição, Fabio Barbosa. Ele termina o mandato de três anos na virada do mês para se dedicar exclusivamente à presidência do Santander.
Nos últimos dias, duas fontes próximas ao assunto haviam informado à Reuters sobre a reforma administrativa na Federação.
O rompimento da tradição de revezar a presidência de uma das entidades privadas mais influentes do país entre os mandatários dos maiores bancos privados brasileiros tem a ver também com a crescente competitividade do setor.
A Febraban promete transparência no processo e, por essa razão, considera a extensão do mandato do atual presidente por mais doze meses.
Procurada, a assessoria de imprensa da Febraban informou que a eventual extensão do mandato de Barbosa garantirá a transparência do processo.
Reservadamente, Fabio Barbosa tem repetido a reclamação de seu antecessor na Febraban, o então presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, de que as atividades da instituição demandam tempo demais dos executivos. A opinião compartilhada pelos demais banqueiros.
Pelo acordo de cavalheiros, que estabelece um rodízio na presidência entre os grandes bancos privados do país, Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, deveria suceder Barbosa, mas teria recusado de pronto, depois de já ter ocupado o posto de 1997 a 2000.
O nome de Geraldo Carbone, executivo que comanda as operações de varejo do Itaú Unibanco e que tem bom trânsito no mercado e com o governo, chegou a ser ventilado para representar a instituição, mas a tese da profissionalização acabou prosperando.
"A diretoria-executiva irá discutir e definir uma proposta detalhada de profissionalização de sua gestão, como já acontece em associações de outros países.
"Essa proposta será submetida ao Conselho Diretor e à Assembleia Geral da entidade e, uma vez aprovada, será iniciado um processo de seleção de um executivo para cumprir as funções normalmente destinadas até hoje ao presidente da Federação", disse a Febraban, em nota, ao ser consultada pela Reuters.
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