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Para Francis Gouillart, a competição nem sempre gera resultados tão bons quanto a colaboração
São Paulo - A estratégia nos negócios, desde a Segunda Guerra Mundial, tem sofrido influência forte das estratégias militares, cujo objetivo é aniquilar o inimigo – no caso, os concorrentes. Contra esse padrão, o cofundador e presidente da consultoria Experience Co-Creation Partnership, Francis Gouillart, garante que a cocriação – mesmo com possíveis competidores – gera bem mais frutos.
Gouillart já trabalhou com importantes nomes da área de gestão, como Robert Koplan e David Norton (criadores do modelo balanced scorecard), Chan Kim e Renée Mauborgne (da estratégia do oceano azul) e C.K. Pralahad e Gary Hamel. Na próxima semana, ele vem ao Brasil para participar do HSM ExpoManagement e, ainda neste mês, vai lançar o livro “A Empresa Cocriativa” (editora Campus), versão em português do recém-publicado “The Power of Co-Creation”, escrito em conjunto com Venkat Ramaswamy. Em entrevista exclusiva a EXAME.com, Francis Gouillart dá os passos para a empresa que busca se desenvolver de forma colaborativa. Confira alguns trechos.
EXAME.com – O que o leitor vai encontrar em seu novo livro “The Power of Co-Creation”?
Francis Guillard - O livro trata de diferentes modos de engajamento entre uma empresa e seus clientes, mas também fala da relação da empresa com todos os seus empregados e consigo mesma. Se você olhar para a história da cocriação, a primeira fase foi aquela na qual os clientes se tornaram parte da empresa e criaram uma relação com a empresa. A segunda fase se relaciona ao desenvolvimento de novos produtos, em que se formou um processo cocriativo composto não apenas por clientes, mas também por pesquisadores, colaboradores e cientistas para criar novos produtos, conhecido como open-innovation. Hoje, nós estamos vendo a terceira geração, em que todo mundo colabora e começa a se envolver com a companhia. O livro fala sobre essa redefinição de colaboração.
EXAME.com – Qual é o melhor momento para iniciar o processo de cocriação?
Gouillart – Um bom momento é quando o negócio não oferece uma boa experiência aos clientes e é preciso mudar as coisas para enfrentar a concorrência. A Microsoft, por exemplo, tem feito isso, pois perceberam que a experiência das pessoas com seu computador não estava tão boa quanto deveria ser e, ao mesmo tempo, têm sido forçados pela competição com a Apple. Em outros casos, a mudança pode vir de novas aspirações humanas, como a questão da sustentabilidade, que estimula as pessoas a pressionarem empresas para mudarem seus negócios em prol do tema.
EXAME.com – E quais são os passos que uma empresa precisa dar para iniciar o processo colaborativo?
Gouillart – A cocriação deve ocorrer interna e externamente. Tecnicamente, é difícil uma empresa buscar ajuda de clientes se ela não tem esse tipo de postura internamente. Então, o primeiríssimo passo, antes mesmo de procurar e consultar o cliente, é redefinir a interação interna, alinhar todas as pessoas dentro da companhia para esse pensamento. Uma vez que isso foi feito, aí você pode passar o processo para os parceiros, fornecedores e vendedores para, só depois, passar para os clientes. Este último movimento consiste em confrontar o cliente, perguntar a ele não apenas o que quer de você, mas também como fazer para engajar isso no seu negócio. Em suma, é preciso mudar a interação com ele.
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Maurício José Tavares
Entre pequenas empresas, essa colaboração se faz presente já a tempos. Para assumir a entrega de certas...
05.11.2010 | Ler comentário completo |