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CEOs carismáticos podem ganhar a confiança dos analistas "na lábia"
São Paulo - O carisma de um CEO novato pode ser mais eficaz do que o pragmatismo. É o que revela um estudo realizado por pesquisadores da HEC School of Management, de Paris, e das universidades da Pensilvânia e da Flórida, nos EUA.
Os dados levam à conclusão de que presidentes-executivos mais carismáticos podem induzir os analistas a fazer previsões positivas, porém erradas, sobre os ganhos das empresas, o que provocaria uma valorização dos bens das companhias.
A pesquisa, publicada no fim de 2009, acompanhou 367 transições de CEOs entre 1990 e 1999. Os estudiosos analisaram as primeiras cartas dos presidentes aos parceiros, buscando linguagem carismática em que desafiassem os padrões, valorizassem investidores e funcionários e exaltassem questões morais e ideológicas em detrimento do pragmatismo.
Com o mesmo método usado em análises que jornais fazem de discursos presidenciais, os estudiosos perceberam que palavras inclusivas, como "nós" e "nosso", e expressões que correspondem ao sucesso da coletividade são mais usadas pelos líderes carismáticos.
Depois, foram analisadas as previsões e recomendações dos analistas dessas companhias por um ano, desde o início da gestão dos CEOs. Durante este tempo, os pesquisadores examinaram os ganhos na época comparados às previsões dos analistas. Eles perceberam que neste período ocorreram mais erros de previsões do que no ano anterior à posse do novo presidente-executivo.
Os pesquisadores indicam que, à medida que mais analistas forem levados pelo carisma do CEO, os investidores irão considerar que este consenso favorável é um sinal de que a empresa e suas ações continuarão estáveis. A equipe recomenda, porém, que os analistas fiquem atentos para que esta influência não prejudique sua reputação e seus investimentos. Uma possível solução para esta armadilha é recorrer a treinamentos.
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