Galp descarta possibilidade de venda de ativos no Brasil

De acordo com o executivo português, um pool de bancos deverá ser selecionado nos próximos meses para promover o aumento de capital da companhia no segundo semestre

Rio – O presidente da Galp, Manoel Ferreira de Oliveira, descartou completamente hoje a possibilidade de venda de ativos no Brasil. Segundo ele, a operação financeira anunciada hoje para capitalizar a companhia para novos investimentos no pré-sal brasileiro visa a reduzir a relação entre capital e dívida por meio da venda de novas ações. “Temos interesse em abrir o capital da Petrogal, que é a empresa que representa a Galp no Brasil”, disse, em entrevista no Rio de Janeiro, após reunião com analistas financeiros para apresentar os investimentos da companhia previstos para os próximos cinco anos.

De acordo com o executivo português, um pool de bancos deverá ser selecionado no mercado internacional nos próximos meses para promover o aumento de capital da companhia no segundo semestre. Entre as opções sobre como se dará esta abertura de capital da Galp está a possibilidade de a companhia vir a negociar suas ações na BM&FBovespa. “É uma possibilidade a ser estudada e vamos seguir os conselhos do nosso setor financeiro. Prioritariamente, nossa intenção é maximizar o valor da companhia para seus acionistas e nada será feito que não contribua com esta linha de raciocínio”, disse.

A abertura de capital e todo o processo de capitalização deverá se dar ao longo do segundo semestre e ser concluída ainda este ano, disse Oliveira. Ele ainda comentou que acredita que a operação deverá atrair principalmente fundos de investimento, mas não descarta a participação de outras petroleiras no negócio.

Recentemente, a espanhola Repsol vendeu parte de seus ativos no pré-sal brasileiro para a chinesa Sinopec. Rumores do mercado indicavam que a companhia portuguesa poderia seguir na mesma linha. “Não pretendemos vender ativos. Mas não está descartada a possibilidade de uma petroleira comprar nossas ações. Na vida, descartar algo é não ser prudente”, ponderou.

O executivo, no entanto, fez questão de frisar que qualquer decisão sobre os novos sócios da Petrogal deverá passar pelo crivo da Petrobras, parceira da Galp em quase todos os seus empreendimentos no País e operadora de todos os blocos do pré-sal em que a empresa participa, incluindo o campo de Lula. “Nossos novos parceiros serão amigáveis à Petrobras. A decisão sobre estes novos sócios não passa por algo diferente desta posição amigável para com a Petrobras”, afirmou.

Oliveira destacou também que hoje a Galp detém 100% da Petrogal e mesmo abrindo mão de parte das ações que serão lançadas pretende continuar com o “total controle sobre seus ativos”. Segundo ele, com o lançamento das ações, a Galp terá uma redução de sua relação dívida versus capital dos atuais 100% para 50%. Segundo ele, este endividamento refere-se ao valor do capital próprio, ou valor “de livro”, valor venal da empresa. “Se considerarmos hoje o valor de mercado da Galp, esta relação cai para algo em torno de 25% do capital”, disse, sem querer projetar qual seria a dívida considerando o valor de mercado no segundo semestre. “Não dá para especular sobre como o capital se movimenta entre crises e oscilações de várias fontes”.

Oliveira evitou comentar também sobre as atuais transações envolvendo os sócios acionistas da Galp, entre elas a venda de ativos da companhia pertencentes à italiana Eni para a angolana Sonangol. “Nós só podemos falar aqui sobre a empresa que nos diz respeito, que é a Petrogal. Nossos sócios acionistas é que podem falar por estas outras operações.”

Ele destacou que a capitalização anunciada hoje foi aprovada pelo conselho de administração da empresa e que esta decisão não sofreria modificações caso o controle acionário mude de mãos. No caso de a Sonangol comprar a participação da Eni, isso deve ocorrer, já que a angolana detém parte do capital da Amorim Energia, sócia controladora atual da Galp.