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Por Michelly Chaves Teixeira
São Paulo - A ascensão das classes C e D abre às companhias aéreas perspectivas de negócios animadoras, mas foi a volta dos viajantes a negócios que mereceu destaque nos balanços financeiros da TAM e Gol. Parte da expansão de 26% do mercado doméstico no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2008, é atribuída pelas aéreas às viagens corporativas, que engrenam uma retomada neste cenário de reativação da atividade econômica.
Para o presidente da TAM, Líbano Barroso, este segmento deve manter o ritmo histórico de superar duas vezes e meia a expansão do produto Interno Bruto (PIB), estimada em 5% pelos economistas para 2010. Segundo ele, esse mercado reagiu de forma mais clara a partir da segunda quinzena de setembro. Até 15 de dezembro, a busca destes clientes por voos continuará “forte”, mas depois, até o fim de janeiro, entram em cena os viajantes a lazer. “A volta do viajante a negócios coincide com a percepção de melhora do momento econômico”, afirmou o executivo. Hoje, cerca de 75% dos passageiros da TAM viajam a negócios, enquanto a média do mercado ronda os 68%, diz Barroso.
A Gol também detectou um aumento no número de passageiros corporativos no terceiro trimestre, segundo Eduardo Bernardes, diretor comercial da empresa. Além da melhora na economia, contribuiu para a maior procura de usuários corporativos a integração da malha aérea com a Varig, além da possibilidade de os clientes da Gol acumularem milhas no programa de milhagem Smiles. Dos clientes que viajam pela Gol, 62% pertencem ao mercado corporativo. “Em 2001, quando a Gol iniciou suas operações, perto de 80% dos viajantes na indústria brasileira de aviação eram deste segmento”, diz.
As duas empresas disputam palmo a palmo os clientes pessoas jurídicas. Segundo os dados mais recentes da TMC Brasil (Associação das Empresas Administradoras de Viagens de Negócios do Brasil), no primeiro semestre a TAM tinha 52% das vendas nacionais de seis agências de viagens corporativas filiadas à entidade. Apesar da liderança, a participação é inferior aos 61,4% indicados nos primeiros seis meses de 2008. O grupo Gol/Varig, por sua vez, saiu de 34,2% para 40,7% no período.
Preços
O consultor de Aviação da Bain & Company, André Castellini, observa que o crescimento do mercado aéreo, seja com passageiros de turismo ou de negócios, não significou uma melhora nas tarifas na mesma proporção. Somente agora é que a perspectiva de recomposição dos preços das passagens começou a ocorrer. Dados da Associação Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o preço médio das passagens aéreas em outubro subiu 16,6% nos voos nacionais, na comparação com setembro. O valor médio ficou em R$ 312,20 em outubro, ante os R$ 267,75 verificados no mês anterior.
Além da política agressiva de preços das empresas, Castellini diz que o excesso de oferta de assentos também dificulta a recuperação das receitas.
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