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São Paulo - O setor siderúrgico brasileiro deve apresentar novos pedidos de proteção contra o volume significativo de aço importado que tem chegado ao país desde o início do ano, afirmou o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Alves.
Um quadro de importações mais que duas vezes maiores do que o volume registrado em 2009 tem preocupado o setor. Para o presidente do IABr, é "aceitável" para o próximo governo aumentar as atuais tarifas de importação dos patamares de 12 a 14 por cento.
"Eu acredito que as diferenças são tão grandes que acho que, a exemplo do que o mundo está fazendo, novos processos serão abertos sim, com certeza", disse Mello Alves em entrevista à Reuters na tarde de quinta-feira.
Em agosto, a Usiminas pediu ao governo brasileiro abertura de processo antidumping contra aço importado na forma de chapas grossas, comumente usadas pela indústria naval. Recentemente, a imprensa local publicou que a CSN está preparando ação para conter importações de vários tipos de aços.
"Tem que ficar muito claro que importações e exportações são variáveis normais de mercado, mas o que tem preocupado o setor é que as importações começam a ter respaldo de artificialismos que provocam distorções de mercado", afirmou o presidente do IABr.
Ele citou como motivos para as distorções a valorização do real contra o dólar, subsídios estatais chineses, excedente de capacidade produtiva mundial de 600 milhões de toneladas de aço e guerra fiscal no Brasil.
"No caso mais específico do Brasil, além disso tudo ainda há os chamados incentivos regionais que determinados Estados têm adotado", disse, citando Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Ceará.
Segundo ele, 60 por cento das importações de produtos siderúrgicos têm sido feitas por portos incentivados. "Os Estados têm criado um incentivo muito forte de redução de ICMS que faz com que esses portos sejam responsáveis pelas entradas desse material (importado)."
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