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Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Petrobras estavam na Líbia e nenhuma vislumbra qualquer possibilidade de voltar ao país árabe no curto prazo
Neste outono na Líbia, não há mais a ditadura de Muamar Kadafi, nem estrondos de bombas horrorizando a população. A estação trouxe outra boa notícia: a eleição pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) do empresário Abdel Raheem Elikib para dirigir o país enquanto uma nova Constituição é confeccionada e eleições para meados de 2012 são preparadas. O cenário político começa a desanuviar, mas o econômico segue incerto. Ainda não há a menor expectativa para que empresas estrangeiras voltem a operar normalmente no país.
Neste cenário, o Brasil conta com uma desvantagem em relação a outras nações: o passado recente permeado por relações cordiais entre o ex-ditador e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e por um posicionamento contrário do Itamaraty às revoltas rebeldes e ataques da coalizão. Das quatro companhias brasileiras que operam na Líbia (Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Petrobras), nenhuma vislumbra qualquer possibilidade de voltar ao país árabe no curto prazo.
As razões que impedem o recomeço são várias – sobretudo burocráticas e diplomáticas. Em primeiro lugar, é preciso que a embaixada nacional volte a funcionar na capital líbia, Trípoli. Só depois disso, as empresas poderão se reestabelecer. Como elas não são donas dos ativos no país, mas sim apenas operadoras, é necessário autorização do governo para o recomeço. A etapa seguinte seria trazer de volta os funcionários – muitos deles vietnamitas, filipinos e tailandeses.
De acordo com o Itamaraty, isso só ocorrerá quando um governo, que não seja provisório, for reconhecido por organismos mundiais. No momento, vistos e outros despachos entre a Líbia e o país são feitos no consulado brasileiro de Túnis, na Tunísia. “É preciso ter segurança para que as empresas importem novamente essas pessoas”, afirma o embaixador Paulo Cordeiro, subsecretário-geral do Itamaraty para África e Oriente Médio.
Futuro incerto – Superada a questão burocrática, restam impasses preocupantes. O principal é a falta de garantias de que os contratos de empresas brasileiras com o estado líbio serão mantidos pelo novo governo. Isso ocorre não somente porque o ex-presidente Lula não tinha pudor em elogiar e tirar fotos ao lado do ex-ditador líbio, mas também porque o governo atual não apoiou a aliança de países e grupos rebeldes nos ataques às tropas fiéis à Kadafi. Na época, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgou nota defendendo o fim dos ataques aéreos – ato que gerou desconforto entre os líderes rebeldes que hoje estão do comando do país.
Neste caso, a avaliação de economistas e cientistas políticos é que a lógica de alianças impere, o que significa que as nações que serão mais agraciadas com oportunidades de negócio na reconstrução líbia devem ser justamente as que apoiaram as revoltas. Entre elas estão França, Itália, Egito e Tunísia, além da Coreia do Sul – esta última por ter esperado pacientemente ao longo de décadas pelo cumprimento de promessas feitas pela ditadura Kadafi. Segundo o embaixador Cordeiro, que esteve em Trípoli conversando com autoridades no início de outubro, as atuais lideranças do CNT já afirmaram que estabelecerão prioridades na continuidade das obras, além de revisar todos os contratos detalhadamente, pois acreditam que tenha havido favorecimento de empresas e corrupção durante a gestão anterior – que, aliás, durou 42 anos.
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