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Redução de carga tributária e de empecilhos burocráticos para estimular a economia formal nada têm a ver com neoliberalismo ou consenso de Washington, diz Klein. "Países escandinavos são conhecidos por ser estados de bem-estar social e têm ambientes propícios para os negócios", afirma. Para Klein, a questão é muito mais simples. "Tecnicamente, as reformas necessárias para estimular negócios não são complexas", diz Klein. "O problema, que eu não posso identificar exatamente, é claramente político. Por que não simplificar as coisas para os empreendedores?"
Klein participou do EXAME Fórum - Os desafios do crescimento para pequenas e médias empresas nesta segunda-feira (24/10), em São Paulo, onde apresentou a pesquisa Doing Business 2006.
Clima de investimentos
Otaviano Canuto, diretor-executivo do Bird, contextualizou os dados do Doing Business 2006, situando-os no tema mais geral do clima de investimentos no Brasil. Segundo ele, a primeira constatação clara é que a melhora do ambiente para negócios é um processo, e que as reformas exigem capital político.
"O país sabe para onde ir, o problema é a travessia", diz o diretor do Bird. "Na prática, teremos de encarar o fato de que é preciso seqüenciar, hierarquizar reformas e dar o ritmo possível, de acordo com o momento político." Segundo Canuto, a propriedade da agenda de melhora de clima de investimentos deve ser da sociedade civil, e não do governo. "Não é algo que o governo federal ou governos estaduais possam resolver isoladamente."
Em linhas gerais, os dois maiores empecilhos para o empreendedorismo brasileiro, para Canuto, são a incerteza quanto a políticas e marcos regulatórios e a ausência de ferramentas institucionais para fazer prevalecer os contratos, com rapidez.
Para superar tais gargalos, algumas medidas recentes representam um grande salto mas precisam ser consolidadas. "A reforma do Judiciário, o cadastro positivo, o patrimônio de afetação para a construção civl e a Lei das Micro e Pequenas Empresas são grandes avanços em termos de agenda microeconômica", afirma Canuto.
No campo macroeconômico, o diretor do Bird aponta para uma certa tranqüilidade, apenas recentemente conquistada. "A questão é que a tributação alta faz parte da equação da estabilidade [para gerar superávits e diminuir a relação dívida/PIB], e vai continuar assim até que o país avance suficientemente em qualidade dos gastos públicos."
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