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"Somos a maior companhia de bioenergia do mundo". Foi assim que John Rice apresentou aos usineiros brasileiros a empresa da qual é vice-presidente, a americana Archer Daniels Midland Company (ADM). Convidado para participar de um encontro sobre etanol, Rice fez no Brasil o discurso de quem não se deixa intimidar pela experiência brasileira na produção de álcool. Afinal, a ADM lidera a produção mundial de etanol, com operações em 60 países que geram 4 bilhões de litros do combustível por ano - até 2009, esse volume deve chegar a 6 bilhões de litros. Como comparação, a Cosan, maior produtora brasileira de açúcar e álcool, chegou ao final de seu terceiro trimestre fiscal (período de novembro de 2006 a janeiro de 2007), com vendas acumuladas de 1,023 bilhão de litros de álcool.
Apesar de ostentar o tamanho - no ano passado, o faturamento foi de 36 bilhões de dólares - a ADM não quer comprar uma briga com o Brasil. "Nossa produção se complementa, Brasil e Estados Unidos garantem a segurança do mercado", diz Rice. Aqui, a empresa já possui 4 unidades de processamento de soja, e inaugura em agosto uma unidade de produção de biodiesel, ao custo de 20 milhões de dólares. Leia abaixo a entrevista concedida por Rice a EXAME.
EXAME - O Brasil é considerado referência da indústria do etanol, mas os Estados Unidos vêm trabalhando para se tornarem mais competitivos. Como a ADM vê essa disputa pelo mercado mundial?
John Rice - É difícil dizer. Não acredito que haja uma disputa, ainda estamos formando nossa indústria. Brasil e Estados Unidos são os exportadores mais importantes e fazem com que o mercado não dependa só de um produtor mundial. Isso dá segurança aos países que compram, garante que não vai haver interrupção na oferta.
EXAME - A produção americana vem crescendo junto com os investimentos em pesquisa. Os Estados Unidos estão próximos de igualar a oferta à demanda?
Rice - Sim, o equilíbrio deve acontecer em 2009, pelas nossas estimativas.
EXAME - Isso preocupa os produtores? Pode haver uma "bolha" do etanol, com queda dos preços após 2009?
Rice - Acho que não, o mercado é muito dinâmico. Temos muitos compradores, podemos nos voltar para outros países, assim como o Brasil poderá fazer também.
EXAME - Como a ADM vê a indústria de etanol? Existe uma concentração do setor na mão de grandes empresas?
Rice - Acho que tem havido, em algum grau, uma consolidação. Mas nossa indústria ainda está em formação, como eu disse.
EXAME - A ADM está investindo em desenvolvimento de etanol a partir de novas matérias-primas, como madeira, grama, palha do milho?
Rice - Ainda não. Estamos esperando. Essa tecnologia ainda tem que amadurecer. Acredito que isso aconteça entre os próximos três a sete anos; aí veremos.
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