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Crise | 17/10/2008 15:25

Fabricantes de máquinas agrícolas minimizam efeitos da crise

Para John Deere e AGCO (dona da Massey Ferguson), China e Índia continuarão a consumir cada vez mais alimentos

Suzana Naiditch, de
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Divulgação/Nilson Konrad

Retroescavadeira da Massey Ferguson, da AGCO

As previsões para o Brasil, se é que é possível fazer alguma nesse momento, vão da possibilidade do país sair ileso da crise financeira global, como diz o jornal britânico Financial Times, à afirmação do prêmio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, de que não estamos imunes à crise. Pelo contrário. Segundo ele, o Brasil corre o risco de sofrer uma bolha na agricultura, o setor que até poucas semanas atrás era tido como um dos mais promissores por aqui.

“Podemos ter uma bolha na agricultura brasileira, porque muitos investidores estrangeiros colocaram seu dinheiro nas commodities nos últimos meses, fugindo do dólar”, diz Stiglitz. Como conseqüência, segundo ele, isso gerou uma alta nos preços dos alimentos, mas também pressionou para cima o preço da terra brasileira. Com a crise, o primeiro impacto é o fim dos créditos e dos investimentos e as dívidas contraídas no Brasil podem ser um problema no campo. “Tudo indica que os preços das commodities vão cair. A bolha no Brasil pode estar no campo. Ninguém está imune à crise. O Brasil, por melhor preparado que esteja, também não está imune”, diz Stiglitz.

Os dois principais fabricantes de máquinas agrícolas do país, John Deere e AGCO, disseram a EXAME que não acreditam no pior. Para eles, o consumo de alimento é o último a cair numa crise. “Chineses e indianos - estamos falando mais ou menos de 1/3 da população mundial - estão se alimentando de uma maneira cada dia melhor, e uma vez que você melhora a alimentação, você está mais inclinado a desistir da compra de um outro bem.

Talvez espere pela nova geladeira, pela televisão, mas não deixa de se alimentar melhor”, diz André Carioba, vice-presidente da AGCO para a América do Sul. “O nosso cliente agricultor diz que as commodities estão mais baratas do que semanas atrás, mas muito acima do que estavam há dois ou três anos”. Além disso, segundo ele, os estoques mundiais de grãos não estão muito elevados. “Pelo contrário, os estoques são historicamente baixos, o que indica que precisamos produzir para manter o circuito vivo”, diz Carioba.

A AGCO Corporation produz tratores e colheitadeiras que são distribuídos através de mais de 3.000 concessionárias e distribuidores independentes em mais de 140 países. Ela é dona das marcas Massey Ferguson e Valtra, entre outras. Com sede em Duluth, Geórgia, faturou 6,8 bilhões de dólares em 2007.

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