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São Paulo – No terceiro trimestre , as empresas estrangeiras contabilizaram 30,8 bilhões de reais em aquisições somente de companhias brasileiras. No acumulado dos nove primeiros meses de 2010, o valor foi de 47,6 bilhões de reais – e superou o montante das aquisições entre empresas brasileiras, que dominaram o volume de operações no acumulado de 2009 e de 2008.
Enquanto as estrangeiras desembolsaram 50,6 bilhões de reais no país no terceiro trimestre em aquisições de empresas nacionais e estrangeiras que controlassem alguma brasileiras, as companhias nacionais investiram 4,6 bilhões de reais para comprar empresas estrangeiras - e 4,8 bilhões de reais para comprar empresas brasileiras.
O montante investido pelas empresas estrangeiras mostra o seu apetite pelas brasileiras, mas também é reflexo da dieta à qual elas se submeteram em decorrência dos reflexos da crise econômica mundial. "Vimos uma retração de compradores americanos e europeus no primeiro semestre, em decorrência do desafio econômico deles", disse Bruno Amaral, presidente do subcomitê de fusões e aquisições da Anbima.
O começo do ano foi atipicamente dominado pelos brasileiros, segundo Amaral. As empresas nacionais desembolsaram 57,3 bilhões de reais em aquisições, enquanto as estrangeiras investiram 27,5 bilhões de reais nas operações do primeiro semestre. "Agora ocorreu o retorno com força de participantes europeus e americanos", disse Amaral.
O represamento das operações estrangeiras no primeiro semestre provavelmente não vai se repetir nos próximos meses, segundo o executivo. A Anbima acredita que o próximo trimestre será menos aquecido que o normal, em decorrência do terceiro trimestre forte, e sente que o mercado de fusões e aquisições vai continuar aquecido e ter um volume de operações elevado em 2011. "Depois de um período muito forte, é natural que o próximo período seja um pouco mais fraco. Isso não é reflexo do desaquecimento do mercado", afirmou.
"Mas não posso dizer que 2011 será superior a 2010", disse Amaral. O número de operações em 2011 poderá ser superior ao deste ano, mas é difícil que isso ocorra, segundo o executivo. O Brasil registrou 94 operações de fusão e aquisição anunciadas nos nove primeiros meses do ano. O montante de operações anunciadas foi de 144,8 bilhões de reais - o maior observado para o período de janeiro a setembro desde 2006, 21,7% maior do que o registrado em todo o ano de 2009.
"É difícil ter uma repetição no que aconteceu esse ano em telecom, por exemplo, onde as operações envolveram valores elevados", disse. O recorde em número de operações de 2007 não deverá ser batido em 2010, na opinião de Amaral. Em 2007 foram 148 operações no valor de 136,5 bilhões de reais.
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