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Gilberto Mautner, da Locaweb: em perspectiva, a abertura de capital
Em 1997, dois primos de 20 e poucos anos, Gilberto Mautner, engenheiro eletrônico formado pelo Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), e Claudio Gora, publicitário que trabalhava com o pai em uma confecção em São Paulo, resolveram montar uma empresa. A ideia era construir uma rede virtual de negócios entre empresas têxteis. O plano rapidamente naufragou: a concorrência chinesa estava dizimando o setor no Brasil, e a presença na internet definitivamente não estava entre as prioridades dos empresários. Com pequenas mudanças técnicas no projeto original, os primos decidiram aproveitar a estrutura para oferecer algo inédito no Brasil: espaço barato na internet para quem quisesse montar um site. Concorrendo com pouquíssimos serviços semelhantes disponíveis na época, que chegavam a custar mais de 1 000 reais mensais, a Locaweb, cobrando 29 reais por mês, viveu a primeira de várias explosões de crescimento que se seguiriam nos negócios. "Em apenas seis meses, chegamos à marca de 100 clientes e ao limite da capacidade que montamos para começar", diz Mautner. Foi com esse servidor solitário, instalado nos Estados Unidos, e com um investimento de 30 000 dólares que Mautner e Gora começaram uma das companhias mais longevas e bem-sucedidas do mundo digital do país. Hoje a Locaweb é uma empresa que fatura 131 milhões de reais e lidera o segmento de hospedagem de sites no Brasil. Mas, pelos planos traçados por Mautner, o presidente, a caminhada está só começando.
A Locaweb vive um momento de transformação. A primeira delas é de modelo de negócios. A empresa apostou tudo na ideia do cloud computing, ou a computação em nuvem. O serviço de simples hospedagem de sites continuará existindo, mas Mautner quer que em quatro anos a prestação de serviços de infraestrutura tecnológica via nuvem passe a ser a maior fonte de receita da empresa. Com o novo modelo, a Locaweb tem dois objetivos. O primeiro, da porta para dentro, é utilizar tecnologias de virtualização, que permitem um uso muito mais eficiente dos servidores. O segundo, da porta para fora, é decorrência direta do primeiro: com as novas tecnologias, a empresa pode oferecer pacotes de serviços flexíveis. Em última análise, o modelo permite que toda e qualquer empresa possa terceirizar sua área de tecnologia com a Locaweb, pagando uma mensalidade de acordo com os recursos consumidos. "A comparação é com a energia elétrica", diz Mautner. "Antigamente as empresas tinham de ter usinas próprias. Hoje é uma loucura pensar nisso. Com os computadores vai acontecer a mesma coisa."
Para dar conta do crescimento e preparar-se para o futuro que enxerga, Mautner está fazendo investimentos de peso. A Locaweb comprou um prédio na zona sul da capital paulista para instalar seu novo data center. O aporte já soma 67 milhões de reais, e a previsão é que nos próximos sete anos outros 111 milhões sejam investidos. Dos atuais 4 500 servidores, a empresa poderá chegar a 28 000 máquinas. A sede administrativa e os 600 funcionários também serão transferidos para o mesmo prédio (que, visto do alto, "tem a forma de microchip", como diz Mautner, com certo orgulho nerd). Para uma empresa que cresceu à força, sempre tentando alcançar a velocidade da expansão da internet, a mudança é um marco importante. Para o mercado, também. "A Locaweb realiza claramente uma transição em sua estrutura, caminhando para se tornar uma grande corporação nos próximos anos", diz Reinaldo Roveri, analista sênior da consultoria IDC.
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Erika Daniela Miranda
A pior empresa do segmento no mercado, sem dúvida! Atendimento ruim, e-mails que nunca funcionam. A impressão...
08.04.2011 | Ler comentário completo |