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Gabriel Silva, presidente da Wintech, durante a inauguração da nova fábrica da empresa
São Paulo - A Wintech, empresa prestadora de serviços financeiros, vai tentar abocanhar parte do mercado brasileiro de fabricação de cartões para bancos, varejistas e operadoras de celular. Hoje a líder desse mercado é a American Banknote, que tem ações listadas na Bovespa.
Conhecida no mercado como uma fornecedora de bobinas, bilhetes de loteria, cupons fiscais e boletos de cobrança, a Wintech inaugurou na semana passada uma fábrica de cartões em Barueri (SP), que consumiu investimentos de 25 milhões de reais.
O presidente da Wintech, Gabriel Silva, diz que a nova fábrica tem como principal diferencial dos concorrentes máquinas importadas da Espanha capazes de fabricar e personalizar cartões sem que haja manuseio dos plásticos por funcionários. "Isso dá muito mais segurança a todo o processo", diz o executivo
Gabriel Silva também afirma que, no médio prazo, a meta é conquistar 20% do mercado brasileiro de fabricação de cartões. Hoje a maior fatia está nas mãos da ABnote, com cerca de 40% de participação, seguida pela Intelcav (35%).
Todo o mercado brasileiro é estimado em cerca de 1 bilhão de cartões por ano, que geram um faturamento de cerca de 500 milhões de reais. O segmento de cartões com chip é hoje o principal filão. Os bancos estão trocando sua base de cartões de tarja magnética pelos com chip para dar maior segurança aos clientes. Os cartões com chip têm maior valor agregado e permitem aos fabricantes trabalhar com margens maiores, de cerca de 50%.
A Wintech diz que não está disposta a iniciar uma guerra de preços com os concorrentes para ganhar mercado. "Nossos processos de fabricação de cartões são totalmente automatizados. Então vamos ter um custo menor e uma margem maior mesmo cobrando os mesmos preços dos concorrentes", diz Gabriel.
A empresa confia no aumento do mercado brasileiro de cartões para crescer. Além da necessidade dos bancos de emitir plásticos com chips mais seguros e capazes de armazenar um maior número de informações, esse mercado também tem sido impulsionado pelo aumento da renda e da bancarização das classes C, D e E nos últimos anos.
A Wintech também está de olho no mercado de licitações de documentos. Governos estaduais costumam terceirizar a confecção de documentos, como a carteira de motorista. Já o governo federal estuda unificar, no futuro, diversos documentos como o CPF, a carteira de motorista, o passaporte e o título de eleitor. Se isso acontecer, as empresas que atuam nesse mercado terão um novo filão para explorar nos próximos anos.
Barreiras de entrada
Especialistas no setor de cartões dizem, no entanto, que não será tão fácil para a Wintech conquistar o mercado. O primeiro motivo é que as empresas que contratam um fabricante de cartões precisam ter garantias de que os dados fornecidos não poderão ser interceptados. (Continua)
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