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Há uma onda de otimismo no ar em relação ao futuro do Brasil. Os fatores para tanta expectativa são reais e consistentes. O país conseguiu sair rapidamente de um cenário recessivo e, ainda, com forte solidez econômica. Os investimentos estrangeiros nunca estiveram tão intensos, levando a uma valorização de mais de 70% da bolsa de valores (Bovespa) no ano. Sem contar as descobertas de megapoços de petróleo localizados na camada do pré-sal.
Para impulsionar ainda mais o sentimento de euforia do brasileiro, o país sediará a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Entretanto, Lika Takahashi, estrategista-chefe da corretora Fator, é bastante cautelosa em relação ao suposto desenvolvimento que esses eventos esportivos podem gerar para o Brasil.
Segundo ela, o mercado aposta na valorização imobiliária, no aumento de turistas e na alta do consumo que tais eventos vão trazer. Porém, o que ninguém vê é a quantidade de investimentos importantes que deixarão de ser realizados ou serão postergados para que os jogos aconteçam. De acordo com a corretora Fator, alguns exemplos de áreas que podem ser deixadas de lado enquanto todos se preparam para as Olimpíadas são as usinas hidrelétricas, os portos e o combate à violência.
"Eu não estou dizendo que os jogos não vão criar valor, mas ninguém consegue afirmar que o retorno para o país será maior do que qualquer outro projeto", afirmou a analista Takahashi em relatório da Fator.
Ela questionou também, em relatório, que o aumento da demanda para determinados setores será temporário, de um ou dois anos.
Outro contraponto dos supostos benefícios de eventos dessa magnitude é o risco de inflação. Para Takahashi, o consumidor vai acabar pagando mais pelos produtos locais. Isso acontecerá também devido às obras públicas, que geram empregos, mas aumentam os custos do contribuinte.
Na opinião da analista da corretora Fator, é preciso considerar todos os custos e benefícios envolvidos em questões como essas, pois nem todos os setores serão beneficiados.
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