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As vendas de caminhões ainda não foram afetadas de forma tão dramática pela crise financeira mundial quanto o setor de veículos leves, que depende muito do crédito ao consumidor. Mesmo assim, a Vocal, maior rede brasileira de concessionárias de caminhões e ônibus da marca Volvo, com seis lojas na capital e interior de São Paulo, já sente os reflexos da falta de crédito. De acordo com Cláudio Zattar, superintendente da Vocal, foi registrada desistência de compra de 8% das encomendas feitas nos últimos quinze dias. Elas vêm, principalmente, de transportadoras que trabalham com setores da economia que apresentaram forte crescimento nos últimos anos, como o de agronegócios, com destaque para a cana-de-açúcar, álcool e frigoríficos, grandes exportadores, e o segmento de infra-estrutura, ligado a obras públicas e privadas.
Cerca de 40% das vendas da concessionária são feitas por meio de leasing e outras formas de financiamento. E os financiamentos estão mais caros e mais curtos. O Banco Volvo, maior parceiro da Vocal em linhas de financiamento, emitiu um comunicado na sexta-feira, dia 10, informando que o custo de captação interbancária passou de 16% ao ano, em setembro, para 22% ao ano, em outubro. E os prazos estão mais apertados: passaram de 36 meses para 24 meses. Com isso o crédito para o cliente ficou 6% mais caro em um mês. Os criteriosos para o financiamento para as transportadoras também ficaram mais restritivos. “Os bancos estão cortando o crédito das transportadoras menos robustas”, diz Zattar.
Compensação
De acordo com ele, por ora, há uma certa compensação no balanço dos negócios. “As desistências foram substituídas por outros compradores que estavam na fila por conta da demanda reprimida no setor de caminhões nos últimos dois anos”, afirma Zattar. O aquecimento das vendas de caminhões nesse período é considerado histórico para o setor. As vendas de caminhões pesados, acima de 300 CV, cresceram 31% em 2007 e, em cima disso, mais 50% em 2008. Os caminhões semi-pesados, de 200 a 300 CV, cresceram 32% em 2007 e 49% em 2008. O mercado de ônibus não sentiu o impacto da crise. “As vendas de ônibus são mais regulares, atendem ao transporte público e renovações constantes de frota”, diz Zattar.
Há três semanas, entre 15 e 20 de setembro, a Vocal havia feito uma previsão de crescimento para 2009 de 15% no faturamento, com expectativa de PIB oscilando entre 3,5¨% e 4%. “Agora vamos rever essas projeções para baixo, mas ainda não dá para saber com que patamar vamos trabalhar”, diz Zattar. A concessionária adiou a data do planejamento estratégico, geralmente realizado em setembro, para novembro. O que consola a concessionária é que ela não teve perdas no mercado acionário. A empresa tem capital fechado e é conservadora nas aplicações, só investe o capital em renda fixa. Além disso, a Vocal não tem dívidas, trabalha com capital próprio e não toma empréstimo de capital de giro. As vendas de 2008 estão fechadas, com encomendas para até março de 2009, com clientes que têm crédito em bancos. Mas a expectativa para o próximo ano é de, no máximo, defender o quadro que está aí.
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