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O presidente da Perdigão, Nildemar Secches (à esquerda), e o presidente do grupo Sadia, Luiz Fernando Furlan (à direita), comemoram o fim do projeto "7 Belo", que resultou na criação da Brasil Foods
SÃO PAULO - Em um escritório em São Paulo, banqueiros de investimentos envolvidos em uma grande fusão fazem um "brainstorm" para decidir qual será o nome da operação. Depois de algumas sugestões, que envolvem desde deuses da mitologia grega a nomes de participantes do "Big Brother Brasil", o grupo chega ao consenso que o novo projeto vai se chamar "Bagre". A justificativa é hilária: "O nosso cliente gosta de pescar. E ele quer ser fisgado por um pescador, ou melhor, comprador". Todos concordam e a reunião prossegue. Por mais bizarro que possa parecer, esse tipo de cena faz parte do cotidiano de banqueiros de investimento, advogados, auditores e empresários que negociam uma aquisição. A extravagância do nome revela o desejo de todos de manter o negócio em segredo. "No caso de companhias abertas, o sigilo é redobrado", diz Alexandre Bertoldi, sócio-diretor do escritório Pinheiro Neto, uma das maiores bancas de advogados do Brasil.
Mesmo que uma empresa tenha controladores discretos, fusões e aquisições envolvendo uma companhia com ações em bolsa costumam ter efeitos como o de bombas atômicas no mercado financeiro. Para os investidores, é impossível ficar indiferente aos potenciais ganhos de operações como a união da Sadia com a Perdigão ou da Porto Seguro com o Itaú Unibanco. Se o desenrolar da negociação ocorrer em total sigilo, o estardalhaço no mercado será ainda maior, mas um investidor não terá a oportunidade de obter lucros em prejuízo dos demais a partir da assimetria de informações. Por esse motivo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) obriga todas as companhias abertas a anunciar fusões importantes por meio da divulgação de fatos relevantes a todo o mercado.
Apesar dos nomes excêntricos e de todos os recursos de blindagem, às vezes detalhes sobre a operação acabam vazando. Foi o que aconteceu na fusão entre o Ponto Frio, do Grupo Pão de Açúcar, e a Casas Bahia no fim do ano passado. O projeto BOB (Big One Bahia), cuja sigla foi criada antes de Abilio Diniz seduzir a família Klein, contou com a colaboração de apenas dez pessoas - em geral, cerca de 20 profissionais participam dessas megaoperações. Toda a discrição e cautela, no entanto, parecem ter sido insuficientes. O negócio chegou aos ouvidos de investidores que rapidamente compraram lotes de ações da Globex (GLOB3), controladora do Ponto Frio. Os papéis subiram quase 57% alguns dias antes do fechamento do contrato. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) notificou Abilio Diniz sobre a alta e o empresário, que estava em seu jatinho rumo à França, teve de dar meia volta e aterrissar em São Paulo, onde, às pressas, anunciou o nascimento da "Nova Casas Bahia".
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