Eletropaulo investe mais R$ 120 milhões na rede para evitar novo apagão

Curto circuito do início de junho obrigou a empresa a acelerar investimentos

São Paulo – O curto circuito que aconteceu no dia 7 de junho em São Paulo acelerou os planos de investimentos da Eletropaulo para 2011. A companhia, do grupo americano AES, destinou mais 120 milhões de reais até 2012, além dos 740 milhões de reais anunciados para este ano. Para o próximo ano, o valor ficará entre 650 milhões e 700 milhões de reais, sem contar essa nova parcela. O valor será destinado para melhoria do atendimento ao cliente, novas equipes de eletricistas e mais tecnologia.

O call center da empresa contará com mais 300 funcionários fixos a partir de setembro, além de 600 pessoas contratadas para situações de emergências. O objetivo é aumentar a capacidade de 2.000 chamadas por hora para 54.000. O sistema de SMS também será ampliado a partir de setembro para capacidade de 100.000 mensagens diárias. A média atual varia entre 1.000 e 2.000. Para evitar mais transtornos, a empresa contratará 580 eletricistas para manutenção da rede e poda de árvores.

Nesta semana entrou em funcionamento um serviço automatizado para registrar a falta de luz. O sistema permite que o consumidor avise a queda de energia diretamente pelo sistema eletrônico do call center, sem a necessidade de esperar os infinitos minutos até ser atendido.

“Todas as melhorias foram feitas depois de nossa análise das ocorrências de junho. Não tivemos cobrança da Aneel”, diz Britaldo Soares, presidente do grupo AES Brasil, que controla a Eletropaulo.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aliás, cobrou bastante a empresa. O início de junho é um período que a Eletropaulo gostaria de esquecer. Se em média são registradas 43 ocorrências diárias, no dia 7 foram pouco mais de 700 quando caíram 260 árvores, deixando 600.000 consumidores sem luz por até dois dias.

Por baixo da terra – O diretor de operações da Eletropaulo, Sidney Simonaggio, afirmou que os ventos são o pior causador de problemas para a companhia. Questionado sobre a possibilidade de investir em redes subterrâneas, Britaldo Soares, presidente do grupo AES Brasil, afirmou que é algo difícil de ser feito.


“Além de maiores investimentos, é preciso ter uma coordenação com a Aneel e com os governos estaduais e municipais e outras concessionárias, de telecomunicações, por exemplo, que também tem redes expostas nos postes”, diz. “Como nós atendemos 24 cidades, nem todas as prefeituras teriam capacidade de investir uma grande quantia.”

Segundo Simonaggio, regiões das cidade de Embu, Juquitiba e Itapecerica, por exemplo, são as mais problemáticas por serem as mais arborizadas. Para essas áreas, a nova equipe contratada cuidará para que as árvores não continuem como um potencial risco para a rede elétrica.

A duração das interrupções de energia da Eletropaulo, em maio, foi de 9,89 horas. A Aneel estabelece uma meta de 8,68 horas. “Nossa expectativa é sempre o mais rápido o possível. Para o fim deste ano esperamos reduzir para 8,31 horas”, diz Britaldo. Já sobre a frequência de interrupções das unidades a Eletropaulo se sai melhor: registrou em maio 5,49 vezes, abaixo do pedido pela Aneel.