Diversidade sexual é benéfica para empresas, diz pesquisa

Segundo pesquisa, 40% dos entrevistados afirmam que já sofreram discriminação por orientação sexual no trabalho

São Paulo – Ampliar o respeito à diversidade sexual no ambiente de trabalho pode ser benéfico até para a própria empresa. É o que discute a pesquisa Demitindo Preconceitos, da consultoria Santo Caos.

Empresas com políticas de diversidade de gênero têm 15% mais de probabilidade de atingir as metas. No Reino Unido, para cada 10% de aumento de diversidade, o lucro cresceu 3,5%, de acordo com levantamento citado pela consultoria.

Outra vantagem é compreender melhor um público forte e com grande poder de compra.

Há mais de 18 milhões de pessoas LGBT no Brasil – 47% nas classes A e B e eles movimentam 150 bilhões de reais por ano só no Brasil, segundo a ABLGBT, Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

Incluir esse segmento da sociedade no quadro de funcionários – e combater o preconceito – pode ajudar as empresas a pensarem diferente, aprenderem a se comunicar e até a vender mais para ele.

Além disso, funcionários satisfeitos e felizes são mais produtivos, aponta a pesquisa.

Discriminação

Os desafios para esse público já começam ao escolher a profissão. Ainda que 74% digam que não há nenhuma influência da orientação sexual na carreira, eles afirmam que há uma cultura forte que os associa a profissões de beleza e estética.

Já no trabalho, apenas 47% declaram sua orientação sexual – 90% contam para os colegas, 32% para algum superior e apenas 2% conversam com o gestor de RH.

Entre os motivos para não se declarar estão o medo de ser demitido ou de ser discriminado.

E com razão: 40% afirmam que já sofreram discriminação por orientação sexual no trabalho. A pesquisa aponta situações como fofocas, piadas sem consentimento, assédio moral e exposição ou afastamento de colegas.

São poucas as pessoas que não te acham inferior porque você é gay, diz uma das entrevistadas.

Soluções

A consultoria apurou que as empresas ainda fazem pouco para evitar a discriminação. Segundo uma pesquisa da ABRH, 60% delas não difundem o respeito aos LBGT e apenas 10% afirmam que têm ações efetivas contra o preconceito.

Para a Santo Caos, as companhias devem criar um código de ética em que princípios de diversidade estejam explícitos para todo mundo desde o primeiro contato de um novo funcionário.

A consultoria  reuniu dados, realizou pesquisas e entrevistou mais de 230 pessoas, entre ativistas, psicólogos, advogados e profissionais que se identificam como LGBT.