Disputa pela Losango entra na reta final

Empresa tem sexta-feira para apresentar suas propostas, após ser colocada à venda pelo HSBC

São Paulo – Os bancos que avaliaram a financeira Losango, colocada à venda pelo HSBC, têm até sexta-feira para apresentar suas propostas. Santander, Bradesco, Banco do Brasil (BB) e Itaú Unibanco estudaram a financeira, o que não significa que todos estarão na reta final da disputa.

O HSBC estaria contando receber de R$ 800 milhões a R$ 900 milhões pela Losango, segundo cálculos de executivos de bancos que participam do processo. Como não se trata de um leilão, mesmo depois da entrega das propostas as negociações podem continuar. A financeira pode nem ser vendida, caso as ofertas fiquem muito abaixo do que o HSBC espera.

Procurado, o HSBC afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “não comenta rumores de mercado”. O banco de investimentos JP Morgan, contratado para negociar a financeira, não quis se manifestar.

Uma das maiores financeiras do país, a Losango é líder no segmento de crédito direto ao consumidor, com cerca de 21% do mercado. Dona de uma carteira de aproximadamente R$ 2,7 bilhões em financiamentos, a empresa é forte nos cartões de lojas e tem parcerias com cerca de 20 grandes empresas de varejo. A principal é a Máquinas de Vendas, uma das maiores redes de lojas do país.

Aposta

Comprada pelo HSBC oito anos atrás, por US$ 815 milhões, da filial brasileira do inglês Lloyds Bank, a Losango foi uma aposta ousada do grupo britânico. O HSBC tinha chegado ao Brasil seis anos antes, com a incorporação da parte saudável do Bamerindus, um dos cinco maiores bancos privados do país, que estava sob intervenção do Banco Central. À época, o HSBC bateu os mesmos bancos para os quais agora oferece a financeira.

A Losango agora foi colocada à venda porque não faz mais parte dos planos do HSBC para o Brasil. O banco decidiu abandonar o varejo popular e priorizar a disputa pelas contas de empresas e de clientes de alta renda. É a mesma estratégia adotada pelo grupo britânico em todo mundo no começo do ano, quando o então novo presidente do HSBC, Stuart Gulliver, anunciou a intenção de cortar cerca de US$ 3,5 bilhões em custos, para melhorar a lucratividade.


Para isso, o grupo vai sair de áreas e países onde não possui escala para competir pelas primeiras posições, principalmente na área de varejo. Nos últimos meses, o HSBC vendeu sua área de cartões de crédito nos Estados Unidos, a operação de varejo na Rússia e algumas agências no Chile para o Itaú Unibanco.

A venda da operação chilena, aliada ao início das negociações para a venda da Losango, alimentaram a ideia de que o HSBC poderia estar se desfazendo de toda sua área de varejo no Brasil. A direção do banco, no entanto, negou essa hipótese enfaticamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.