A gigante farmacêutica Pfizer anunciou a fusão com a Allergan, empresa responsável por produzir o Botox. Para o empresário Flavio Maluf a fusão, feita a partir de um acordo de investimento de U$ 155 bilhões de dólares, que é considerado a maior transação já feita nesta área , criou o maior laboratório farmacêutico do mundo, a Allergan PLC que posteriormente será rebatizada de Pfizer PLC.

O executivo Ian Read, CEO da americana Pfizer que produz medicamentos como o Cebralat, Liptor, Zoloft e o Viagra, será o novo presidente da Allergan PLC e Brent Sauders, da Allergan, será o diretor de operações.

As duas empresas investem no desenvolvimento e pesquisa de novas drogas e juntas serão responsáveis por pelo menos 12 (doze) lançamentos de novos medicamentos no mercado. A Pfizer, segundo Flavio Maluf, tem feito fortes investimentos em pesquisa para desenvolver novas substâncias para o combate ao câncer, à diabetes e Mal de Alzheimer, sendo que uma delas já recebeu aprovação por parte da agência americana FDA (Food and Drug Administration)para ser utilizada o tratamento do câncer de mama. A Allergan tem se dedicando à pesquisa e desenvolvimento de novas drogas para a saúde da mulher e nas áreas estética e oftalmológica.

Segundo Flavio Maluf a Pfizer utilizou a inversão ou fusão reversa, onde aparentemente a Allergan compra a Pfizer, o que permite a transferência de suas operações para a Irlanda, onde os impostos são bem menores que os cobrados nos Estados Unidos. Com esta mudança, a economia com impostos pode chegar em quase 10%, o que é a margem de lucro de algumas empresas. Nos Estados Unidos, a Pfizer destina aproximadamente 25% de seus ganhos para o pagamento de tributos ante os 15% que a Allergan paga atualmente.

De acordo com Flavio Maluf, o valor poupado com a diminuição das taxas de impostos tem sido usada como um argumento positivo por Ian Read para defender a fusão e consequente mudança para a Irlanda, uma vez que este capital seria empregado na criação de empregos em solo americano. Os Estados Unidos tentam frear este tipo de movimentação há algum tempo, principalmente depois que grandes corporações transferiram seus negócios para a Ásia.

Para muitos analistas americanos, é fundamental a criação de uma legislação específica que impeça estas mudanças, já que a criação de empregos é pequena ante a perda com a arrecadação de impostos. Para outros analistas, boa parte da economia feita com tributos irá para diretamente para os acionistas. Além disso, a inversão é considerada como uma falha gigantesca na legislação existente.

As fusões entre grandes empresas farmacêuticas ocorrem com frequência e somente neste ano ocorreram várias envolvendo diferentes laboratórios. A própria Allergan é fruto de fusões anteriores e Flavio Maluf lembra que a própria Pfizer tinha tentado comprar a AztraZeneca, uma empresa farmacêutica britânica, no início do ano por U$ 118 bilhões e não conseguiu.

O mercado reagiu bem à fusão. Em um primeiro momento houve oscilações de valor das ações da Pfizer, que se estabilizaram e recuperaram as perdas durante a semana.
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