Exame do fundo do olho: tecnologia dispensa uso do contraste químico

“Para nós, o verdadeiro sentido das novas tecnologias está no bem que elas podem fazer às pessoas. E é isto que buscamos com o novo investimento: oferecer uma ferramenta ainda mais eficiente e precisa, com maior conforto e menor risco para os pacientes”. É assim que Selma Miyazaki, diretora técnica e médica oftalmologista do Hospital de Olhos de Cascavel resume a recente aquisição do Angiovue, um tomógrafo de última geração, importado dos Estados Unidos.

Mais precisão, mais segurança

Segundo Abenor M. Minaré Filho, um dos 18 oftalmologistas do Hospital, com doutorado em Oftalmologia pela USP, a avaliação das estruturas retinianas pode ser realizada de diversas formas, desde visualização com lentes especiais (oftalmoscópios diretos ou indiretos), métodos fotográficos com filtros especiais (retinografias e angiofluoresceinografias) ou ainda exames tomográficos.

O exame inicial é feito através dos oftalmoscópios. No entanto, muitas vezes exames mais aprofundados (detalhados) são necessários. Nestas ocasiões entram em cena os demais equipamentos. Por exemplo, para ver detalhes da vasculatura retiniana (veias da retina), retinografias são boas, mas não permitem ver vasos anômalos nas camadas mais profundas da retina.
Até então, para ver estas anomalias com detalhes, era necessário o exame vascular contrastado. Surgiu muito recentemente a tecnologia que possibilita esta avaliação sem uso de contraste químico. Além desta vantagem (de dispensar o uso do contraste), o exame oferece ainda mais detalhes, como jamais vistos anteriormente. Trata-se da Angiovue, método de análise tomográfica do olho com visualização da vasculatura.

Diferentemente dos tomógrafos convencionais, que utilizam radiação para fazer o exame, esta modalidade de tomografia é realizada com luz, não havendo portanto preocupações quanto à indicação mesmo em gestantes e havendo possibilidade de repetir o exame em diversas ocasiões do acompanhamento, se necessário.

“O novo equipamento, Angiovue, é um tomógrafo diferente, que faz a avaliação com luz. Não utiliza radiação e pode dispensar o uso de contraste em alguns casos, e não tem restrição ou contra-indicação”, explica Abenor, que é um dos usuários mais frequentes da nova tecnologia, ao lado dos retinólogos Mateus Tonello, Tubertino Monteiro e Danilo Micheletto e dos especialistas em Glaucoma, Leticia Cantelli Daud e Daniel Traumann, todos do Hospital de Olhos de Cascavel.

Este conforto e segurança, segundo Abenor, é uma vantagem que o equipamento representa para o paciente. Mas os médicos também ganham em precisão e eficiência, com a nova tecnologia.
“A imagem é de altíssima qualidade, oferece mais precisão e detalhes. Ele consegue oferecer uma visão em camadas. É o primeiro a identificar a estrutura vascular, sem uso do contraste e com resultado muito melhor que todos os equipamentos já existentes”, observa.

Alívio para diabéticos

Angiovue é empregado em exames tanto de fundo de olho (retina, nervo ótico) quanto do segmento anterior (córnea, ângulo iridocorneano) e traz um alívio especial para o grande número de portadores de diabetes, expostos à retinopatia, uma das maiores causas de cegueira no país.

O equipamento permite avaliação e acompanhamento mais precisos em casos como retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade, obstruções venosas, obstruções arteriais, malformações, tumores, coriorretinopatia serosa central, glaucoma, edemas e neurites, entre outras.

Sem contraste, risco zero

A tecnologia Angiovue, que chegou em primeira mão no Paraná ao Hospital de Olhos de Cascavel, substitui em quase todos os casos, a angiofluoresceinografia, que é o exame tradicional, feito com a aplicação endovenosa de contraste químico. É um exame muito útil para o diagnóstico, avaliação de resultados de tratamento e evolução de lesões do fundo do olho.

Ainda que o contraste usado em oftalmologia seja da melhor qualidade, oferecendo riscos reduzidos, as estatísticas apontam que 5% das pessoas apresentam reações adversas, além da alteração na coloração da urina. As reações mais comuns são: náusea (ânsia de vômito) e vômito, seguidos de tontura. Uma em cada 10 mil pessoas tem convulsão ou acidente vascular cerebral e uma em cada 40 mil pessoas usuárias da fluoresceína pode desenvolver reação grave e falecer.

“Embora com todos os cuidados, que no caso de nosso Hospital inclui a presença permanente de um anestesiologista, para atendimento emergencial em caso de reações graves, o risco sempre existe. Com a nova tecnologia, ao dispensarmos o uso do contraste, zeramos a possibilidade destas complicações”, diz o médico, professor e doutor em Oftalmologia Abenor M. Minaré Filho.

Foto:
dr. Abenor Minaré Filho.