Empresa brasileira de microeletrônica investe em gestão diferenciada de pessoas para atrair talentos

Uma das empresas de tecnologia em Santa Catarina que estão em franco crescimento e aumentando, na mesma medida, seu quadro de colaboradores é a Chipus Microeletrônica. Fundada em Florianópolis (SC), no final de 2008, com capital 100% nacional, a empresa desenvolve projetos de circuitos integrados de baixíssimo consumo de energia para diferentes aplicações, como Internet das Coisas.

A direção investe em medidas para promover uma cultura interna de trabalho diferenciada, baseada em uma abordagem individual com feedbacks periódicos, na busca por pessoas motivadas e alinhadas com os valores da empresa. Além disso, promove seminários de integração em que busca compartilhar conhecimentos técnicos entre equipes, fortalecendo o relacionamento.

Com grande parte dos clientes fora do país (10% nos EUA, 70% na Europa e 20% na Ásia), a empresa vem crescendo de modo consistente desde sua fundação: de 2015 a 2017, por exemplo, a empresa mais que dobrou o número de colaboradores de 16 para 43. Destes, 34 estão presentes fisicamente em Florianópolis. Recentemente abriram um escritório em Brasília, com sete funcionários; além disso, outros dois consultores atuam à distância part-time, em São Paulo e na Europa, locais estratégicos para a empresa.

Perfil dos profissionais

O quadro de colaboradores é composto por engenheiros eletricistas, eletrônicos e de computação brasileiros e de países como Colômbia (três) e Uruguai (um), com especialização em nível de mestrado e doutorado, e expertise em microeletrônica. Dezessete são do sul do Brasil, sendo 13 catarinenses formados em instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde são ministrados cursos com ênfase em microeletrônica, além de laboratórios focados em projetos de circuitos integrados.

Centros de treinamento financiados pelo governo federal pelo Programa CI Brasil e a própria universidade são alguns dos locais de recrutamento de profissionais para atuar na empresa, de acordo com o diretor técnico da Chipus, Paulo Augusto Dal Fabbro. “Por estarmos próximos de uma universidade que investe na formação deste tipo de profissional, essa captação tem sido suficiente para a empresa. Em nossa realidade, conseguimos encontrar mão-de-obra qualificada no mercado nacional, mas também recebemos muitas aplicações de profissionais vindas do exterior”, explicou.

As mulheres representam 14% dos colaboradores. Mesmo em número menor é um avanço, se considerar a presença e formação de mulheres em cursos de Engenharia Elétrica no Brasil. Segundo dados do último relatório do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os alunos do curso de graduação de Engenharia Elétrica que prestaram o exame em 2014 eram, em sua maioria, homens (87,7%), com uma minoria de mulheres (12,3%).

Paulo explica que a empresa trabalha com uma cultura de buscar o equilíbrio entre os profissionais de ambos os gêneros. “Se o segmento passar a absorver mais mulheres qualificadas, iremos incentivar, na mesma medida, contratações de profissionais do sexo feminino”, detalhou.

Pessoas que gostam do que fazem

Uma das premissas que guiam a Chipus na busca de profissionais é fazer com que eles possam gostar do que fazem ao ingressar no negócio. “O objetivo é estimular o colaborador para que se sinta bem em seu ambiente de trabalho e que se interesse em atuar na Chipus em virtude dos desafios que a empresa lida por conta do seu rápido crescimento”, revela Paulo. Por conta disso, o índice de desligamento de funcionários é baixo.

O investimento no conhecimento também é outro diferencial reforçado pela empresa. Dentre as iniciativas promovidas, a Chipus oferece aulas de conversação em inglês duas vezes por semana com um professor nativo dos Estados Unidos. “Em processos de entrevista, também identificamos o nível de compreensão do idioma. Mas não é o que mais procuramos. Estamos em busca de pessoas com interesse no setor de semicondutores e que tenham uma mentalidade de crescimento, que pensem em longo prazo”, enfatiza.

Também há casos de treinamentos internos de imersão para o colaborador se desenvolver em projetos de circuitos integrados e a empresa apoia aqueles que desejam fazer uma especialização em paralelo com o trabalho. “Temos uma consultoria de gestão de pessoas que está nos ajudando neste trabalho complexo, porém gratificante, de fazer com que as pessoas estejam cada vez mais motivadas a levar a empresa à frente”, finaliza o diretor.

Sobre a Chipus

Em 2009 a Chipus Microelectrônica passou a integrar o MIDI Tecnológico, incubadora mantida pelo SEBRAE/SC e gerida pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), onde esteve por aproximadamente três anos. Com uma carteira composta por dez clientes internacionais, cujo portfólio reúne mais de 200 IPs (blocos de circuitos integrados que podem ser licenciados para serem incorporados em chips mais complexos), recebeu inicialmente apoio financeiro de investidores-anjo, além de subsídios importantes provenientes de editais do CNPq/MCTI, principalmente do Programa CI-Brasil, da FAPESC e FINEP. Em 2016, foi uma das contempladas pelo Fundo Criatec 2/BNDES. Site: http://www.chipus.com.br.