Cai o número de consumidores inadimplentes no Brasil – Entenda os números com Marcio Alaor

De acordo com a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), o número de brasileiros inadimplentes caiu cerca de meio milhão em três meses. Em maio, os dados da CNDL apontavam que esse número chegava a 59,3 milhões. No mês passado, em agosto, já havia caído para 58,8 milhões, indica o vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor.

Os números ilustram essa queda. Tratando-se de devedores negativados no Brasil, entre maio e junho, esse número recuou 0,33% – a quantidade de inadimplentes caiu para 59,1 milhões. Em julho, nova queda, agora de 0,34% – os devedores diminuíram para 58,9 milhões. Entre julho e agosto, mais um recuo, este de 0,17%.

Dois movimentos negativos – e que freiam as comemorações – são citados pela Confederação dos Dirigentes Lojistas como possíveis motivos que impactam na queda. Um deles é o aumento do desemprego, a inflação elevada e a queda na renda. Tudo reduz o poder de compra da população.
O outro é a restrição de crédito, aponta o empresário do setor econômico, Marcio Alaor.

Para o superintendente da CNDL, Everton Correia, existe uma decisão dos consumidores de reter mais as compras, por receio de não conseguir pagar as contas e endividarem-se ainda mais. A queda do número de pessoas com débitos em atraso está mais associada ao medo da população de assumir novas dívidas do que ao aumento das condições dos devedores de honrarem com suas contas.

O empresário Márcio Alaor que os números parecem mostrar consumidores mais cautelosos. No relatório da CNDL, entre agosto do ano passado e agosto deste ano, a quantidade de dívidas em atraso na base do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) recuou 0,76% . A queda se justifica, principalmente, pelas contas que compreendem serviços de telefonia e internet, essas tiveram um recuo de 6,8%. As dívidas com banco diminuíram 0,54%. No entanto, os débitos referentes à água e luz cresceram 2,34%. No comércio, também aumentaram – 0,55%.

De acordo com o economista Gilberto Braga, com o avanço da crise econômica brasileira, existe, de fato, uma tendência à queda no endividamento. “Em um primeiro momento em que se estabelece uma crise, as pessoas ficam mais endividadas, pois, elas costumam manter o mesmo ritmo de consumo de antes. No entanto, a renda não acompanha. Com o tempo, elas percebem as consequências e tendem a ser mais cautelosas em suas decisões de consumo”, explica o economista.

Tanto Gilberto Braga, quanto Márcio Alaor chamam a atenção para outro fator negativo – os brasileiros estão “raspando” a poupança. “O endividamento está caindo, porém, a população está tirando recursos das economias para completar a renda e pagar todas as contas que tem”, diz Braga.

Dados do Banco Central
De acordo com dados recentes do Banco Central, uma redução no endividamento da população brasileira também está registrada. O indicador que mede o endividamento das famílias – e é divulgado com defasagem de dois meses – aponta que o estoque da dívida relativa à renda familiar nos últimos doze meses foi de 43,7% no mês de junho, o menor percentual desde 2012. “Desde janeiro, o índice teve cinco quedas consecutivas”, conclui Marcio Alaor.

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