Dexia anuncia perdas de € 6,32 bilhões após nacionalização

O banco franco-belga vendeu sua filial belga ao Estado em troca de 4 bilhões de euros

Bruxelas – O banco franco-belga Dexia anunciou nesta quarta-feira uma perda de 6,32 bilhões de euros no terceiro trimestre do ano, principalmente como consequência do acordo para nacionalizar sua filial na Bélgica.

Em pleno processo de desmantelamento, a entidade substituiu hoje a publicação habitual de seus resultados trimestrais por um comunicado no qual informa sua situação financeira.

De acordo com esse documento, no terceiro trimestre do ano, o Dexia perdeu pouco mais de 4 bilhões de euros pela operação de venda de sua filial belga ao Estado.

A quantia que o banco recebeu do Tesouro belga em troca de suas ações foram usadas para pagar empréstimos que haviam sido feitos por outras estruturas dentro da própria entidade.

Já as perdas relacionadas com a exposição à dívida soberana da Grécia custaram 2,32 bilhões de euro para o Dexia no terceiro trimestre.

No total, nos nove primeiros meses do ano, o grupo bancário estima que as cessões, depreciações e provisões em suas contas tiveram um impacto negativo de 10,5 bilhões de euros.


O Dexia também anunciou sua exposição à dívida de várias economias europeias em apuros, entre as quais se destacam os 10 bilhões representados pelos bônus italianos.

Além disso, sua exposição à dívida portuguesa é de 1,8 bilhões de euros e à espanhola de 475 milhões.

Por outro lado, o Dexia informou hoje que aumentará o capital de seu filial francesa Dexia Crédit Local em 4,2 bilhões de euros para reduzir o financiamento que esta recebia da parte belga da entidade, agora nas mãos do Estado.

A operação de resgate do Dexia implica na divisão do grupo em três seções – Bélgica, França e Luxemburgo – e a criação de um ‘banco podre’ para isolar os ativos tóxicos que originaram as dúvidas sobre sua situação.

Além de nacionalizar a filial belga da entidade, a Bélgica concordou em oferecer uma garantia de 54 bilhões de euros para a entidade residual que concentrará os ativos problemáticos, à qual a França respaldará com 32,85 bilhões e Luxemburgo com 3,15 bilhões.