De Odebrecht a Maria Filó, as desculpas empresariais de 2016

Reunimos algumas das grandes empresas que pediram desculpas públicas durante o ano por motivos diversos, de corrupção a ajuste de preço

São Paulo – Não é novidade que o ano de 2016 não foi fácil para as grandes empresas – nem as de dentro, nem as de fora do país.

Crise econômica, aumento de competitividade, instabilidade política e mudanças de mercados inteiros foram os percalços encontrados por elas no ano.

Algumas ainda acrescentaram a esse cenário polêmicas e escândalos empresariais frutos de derrapadas de gestão – e, em alguns casos, de uma boa dose de irresponsabilidade.

Reunimos, a seguir, alguns casos de negócios que tiveram de se desculpar publicamente durante o ano. Confira:

Netshoes

A loja de artigos esportivos foi alvo de críticas e xingamentos após prints divulgados nas redes sociais mostrarem um aumento no preço da camisa do clube de R$ 129,90 para R$ 249,90 na terça, depois da tragédia sofrida pelo Chapecoense.

No dia anterior, o avião que levava o time para a final da Copa Sul-Americana, na Colômbia, caiu e deixou 71 mortos e 6 feriados, entre jogadores, tripulantes, jornalistas e narradores.

A empresa deu uma declaração pelo Twitter e divulgou um vídeo com o presidente e fundador da companhia, Marcio Kumruian, sobre a polêmica.

Nele, o empresário reforçou a explicação de que a mudança nos preços se deve à promoção na Black Friday e acrescentou que está sem estoque do produto e “que, em nenhum momento, houve intenção de aumento do preço”.

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Dafiti
Em novembro, a loja online da Dafiti enfrentou uma avalanche de críticas de consumidores na internet depois de colocar à venda uma camiseta que cita “mulher burra” como exemplo de pleonasmo.

O site retirou o produto da loja, mas na página da empresa no Facebook centenas de homens e mulheres cobraram uma retratação oficial da loja, que trabalha com peças de diversos de fabricantes.

Em nota de esclarecimento, a loja online pediu desculpas aos clientes pelo ocorrido:

“A Dafiti lamenta o ocorrido e esclarece que não compartilha a mensagem expressa no produto em questão e repudia qualquer tipo de manifestação de preconceito e discriminação”, disse em comunicado.

Odebrecht

O caso da Odebrecht talvez seja o mais emblemático pedido de desculpas da história empresarial do país.

No dia 1º de dezembro, a companhia divulgou um comunicado em que pedia desculpas ao Brasil por ter participado, nos últimos anos, de práticas “impróprias”.

A declaração foi dada no mesmo dia em que grupo de 77 pessoas do grupo baiano, entre acionistas, executivos e ex-executivos, assinaram um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no âmbito da Lava Jato.

Pelo acordo de leniência, além de contribuir com as investigações, o conglomerado terá de pagar R$ 6,8 bilhões em 23 anos, para seguir tendo contratos de obras públicas.

Samsung

Em novembro foi a vez da coreana Samsung pedir desculpas em um anúncio sem cor nem imagens impactantes, apenas um texto assinado pelo CEO na América do Norte, Gregory Lee.

O motivo: a descontinuação do Galaxy Note 7 depois de inúmeros casos de aparelhos que explodiam por algum defeito misterioso.

O escândalo do defeito de um aparelho tão caro quanto desejado se espalhou como chama.

Logo após o lançamento, em agosto, os primeiros casos de aquecimento aconteceram. Um mês depois, já eram milhões de casos de recall. Em outubro, a empresa contatou que não adiantava substituir os celulares e o ideal era cessar as vendas.

Se vender o modelo renovado está nos planos de 2017, ninguém sabe.

Akagi Nyungo

O primeiro ajuste de preço de uma das maiores fabricantes de picolé do Japão foi anunciado pela Akagi Nyungo com pesar, em abril deste ano.

Criada em 1981, a companhia vendia por ano cerca de 4 bilhões de sorvetes de sabores tão inusitados quando espaguete e ensopado de batata. O último ajuste de preço foi feito por ela em 1991, quando um picolé passou a custar 60 ienes.

O aumento para 70 ienes aconteceu em decorrência da crise economia no Japão e o anúncio é capaz de derreter até corações de gelo.

Em um vídeo, os executivos da empresa e o presidente Hideki Inoue aparecem em um sombrio comercial de 60 segundos exibido em cadeia nacional no país.

O grupo aparece na frente da sede da empresa e se curva, enquanto as palavras “Nós resistimos por 25 anos, mas … 60 → 70” aparecem na tela.

Maria Filó

A marca carioca Maria Filó foi acusada de racismo por usuários das redes sociais em outubro, depois de um post de uma usuária indignada com a estampa de uma peça que traz a imagem de uma escrava servindo uma sinhá.

Em resposta, a empresa afirmou que o desenho foi inspirado na obra do artista francês Jean-Baptiste Debret.

“Em nenhum momento houve a intenção de ofender. A marca pede desculpas e informa que já está tomando providências para que a estampa seja retirada das lojas”, divulgou em comunicado.

Plus Size
O Facebook teve de pedir desculpas o grupo feminista “Cherchez La Femme”, da Austrália, após bloquear um de seus anúncios.

O grupo divulgada o evento “Feminism and Fat” e usou uma fotografia da modelo plus size Tess Holliday para a divulgação, barrada pela rede social por mostrar partes do corpo “de uma maneira indesejável”.

“Anúncios como esses não são permitidos porque fazem as pessoas se sentirem mal”, analisava o Facebook, sem notar que o evento propunha exatamente o contrário, debater o “body shaming”.

Horas depois da polêmica, a companhia se desculpou.

“Pedimos desculpas pelo erro e avisamos ao anunciante que a imagem foi aprovada”, disse, então.

Volkswagen

“Em nome do grupo Volkswagen (…) peço desculpas a vocês, os acionistas, por ter traído sua confiança na Volkswagen”, disse, em junho, o presidente da Volkswagen, Matthias Müller.

O pedido foi feito aos acionistas do grupo pelo escândalo dos resultados de emissões poluentes manipulados, que provocou uma grave crise na montadora alemã.

A declaração foi dada na primeira assembleia geral do grupo desde que a VW admitiu, em 2015, ter manipulado os motores de 11 milhões de veículos a diesel para que apresentassem resultados menos poluentes do que a realidade.