Os segredos do sucesso do Cirque du Soleil, segundo seu CEO

"Acredito piamente que não há empresa sem criatividade. Ela é a alma e o coração de qualquer organização, diz Daniel Lamarre

São Paulo – Segundo Daniel Lamarre, presidente do Cirque du Soleil, a receita do sucesso do circo pode ser seguida por empresas de qualquer ramo: valorizar a criatividade, construir uma marca global e investir em pesquisa e desenvolvimento.

“Acredito piamente que não há empresa sem criatividade. Ela é a alma e o coração de qualquer organização”, disse durante palestra na HSM Expomanagement, nesta terça-feira (10), em São Paulo.

Na sua visão, criatividade significa “fazer nascer algo novo” e alcançá-la começa por ter um ambiente físico estimulante. “É isso o que fazem Google, Pixar, Disney e tantas outras”, afirmou.

É necessário, também, que o líder abrace novas ideias. “Isso vale para qualquer atividade que vocês desempenhem. Parem de ser aquela pessoa normal, estável. Sejam criativos”, disse à plateia de executivos.

No caso dele próprio, para não cair no tédio e se energizar no dia a dia, Daniel contratou uma palhaça particular. “Ela me apresenta de uma forma divertida, tira de sarro de mim quando as reuniões estão muito chatas e me chacoalha”, contou.

Instigar a criatividade passa ainda por empoderar os funcionários para que eles possam inovar, de acordo com Lamarre. No Cirque du Soleil, isso é feito com a ajuda do projeto Eureka.

Por meio dele, cada colaborador que tem uma nova ideia é ouvido pelo presidente e recebe um feedback mesmo que o projeto sugerido não seja adotado.

“Atualmente estamos nos apresentando em diversas cidades e temos milhares de pares de olhos que têm que viajar acompanhando o espetáculo e que trazem consigo novas percepções quando voltam”, explicou.

Outros ingredientes

Encontrar profissionais com as habilidades corretas também é essencial, afirma o empresário. “O que você está fazendo hoje para preparar sua empresa para amanhã? A resposta deveria ser: procurando pessoas que possam fazer a diferença”.

O Cirque du Soleil tem 5.000 funcionários, dentre eles 1.300 bailarinos, dos quais 45 são brasileiros. O banco de talentos da empresa, porém, é composto por 75.000 artistas.

“A gente tem 50 olheiros que viajam pelo mundo inteiro para ver se a gente está contratando as pessoas certas. Se você me disser que tem uma cantora ótima em um bar aqui no Brasil, em 48 horas vai ter um olheiro meu lá”, disse.

A companhia também trabalha em parceria com 12 universidades nos Estados Unidos e 11 no Canadá. “Ouça o que o mercado está dizendo, ouça o pessoal de pesquisa e desenvolvimento”, reforçou Lamarre.

Outro segredo do Cirque du Soleil que deve ser explorado pelas companhias que querem se destacar no mercado, segundo o executivo, é a coragem de correr riscos e apostar no incerto.

Ele contou, por exemplo, que o espetáculo Love, baseado na discografia dos Beatles, surgiu de uma conversa despretensiosa com George Harrison, durante uma festa.

Ouvir a opinião dos clientes também é uma dica de Lamarre. De acordo com ele, ao fim de cada show, o circo avalia os atos mais apreciados pelo público. Além disso, os expectadores são perguntados: vocês recomendariam a peça aos seus familiares? “Quando o nível de satisfação estiver abaixo de 85%, teremos que fazer mudanças”.

Preparar sucessores e ter um plano de carreira também é fundamental.

“Nós temos no Cirque du Soleil cinco pessoas que podem me substituir se a qualquer momento eu for atropelado por um ônibus. É importante ter isso. Também temos que criar maneiras de promover e desenvolver a equipe. É difícil você convencer um acrobata de 20 anos de que ele não vai ter aquele desempenho para sempre e precisa voltar a estudar. Nós fazemos isso”, disse.