CPFL conversa com credores sobre aceleração de dívida

"A área financeira está constantemente conversando com os bancos por outros motivos e já começa a abordar este tema", disse o presidente

São Paulo – A CPFL Energia já conversa com os credores sobre a potencial aceleração de dívidas em caso de mudança de controle da companhia, comentou o presidente, André Dorf.

“A área financeira está constantemente conversando com os bancos por outros motivos e já começa a abordar este tema”, disse a jornalistas.

A companhia possui dívidas com cláusulas restritivas referentes à transferência de controle.

Com isso, a potencial mudança, caso a State Grid venha a adquirir não apenas a fatia de 23% da Camargo Corrêa, já acertada, mas também dos demais acionistas do bloco de controle, Previ e Bonaire, pode provocar uma antecipação de vencimento.

Questionado se a State Grid poderia injetar recurso em caso de necessidade, Dorf disse que esse é um assunto da companhia chinesa.

“Isso precisa perguntar para eles”, disse. Mas durante encontro com analistas e investidores, Dorf salientou que essa condição de cláusulas restritivas relacionadas à mudança de controle é conhecida da State Grid e foi avaliada pelos chineses.

“Tudo foi avaliado, não tem nenhuma surpresa”, disse.

O vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores, Gustavo Estrella, acrescentou, durante a reunião, que “os credores conhecem o perfil da companhia, sua condições atuais e futuras e não terão porque acelerar dívida”, disse.

Previ e Bonaire tem 30 dias, contados a partir de 2 de setembro, para decidir se também realizarão a venda de suas participações para a State Grid nas mesmas condições da negociação fechada com a Camargo Corrêa.

Caso o grupo chinês compre essas fatias adicionais e se configure a transferência de controle, haverá uma oferta aos minoritários para CPFL, como também aos minoritários da CPFL Renováveis.

A Previ já anunciou que está inclinada a aceitar vender sua fatia pelas condições da operação, que colocou a ação da CPFL em R$ 25.

Já quanto à Bonaire, que reúne os fundos de pensão Funcesp, Sistel, Petros e Sabesprev, Estrella comentou que uma avaliação técnica do investimento está sendo realizada dentro dos fundos de pensão.

“Não temos indicação de que vai ocorrer ou não (a venda). Eles devem anunciar nos próximos dias alguma coisa”, disse.

Ele esclareceu, porém, que não seria possível que parte dos fundos que compõem a Bonaire aceitem a venda e parte não.

“Quem é signatário do acordo de acionistas é Bonaire, precisaria ter uma cisão para ter uma solução desse tipo”, disse, indicando que não há tempo hábil para isso.

Estrella explicou que como a Camargo Corrêa vendeu 100% de sua participação no bloco, os demais acionistas do controle têm que acompanhar também vendendo 100%.

Dorf reiterou que a entrada da State Grid como acionista é valiosa, porque dá possibilidade de maior poder de fogo para a CPFL atuar como consolidadora.

“Estamos todos animados com as novas possibilidades que se abrem no setor e dentro da companhia”, disse, referindo-se também às mudanças realizadas no setor elétrico recentemente.