Como a Kroton busca se blindar contra crise e concorrência

A gigante do setor não está imune à crise econômica, aumento da inadimplência, queda no financiamento estudantil e aumento da concorrência

São Paulo – A Kroton, maior empresa de educação do Brasil e uma das maiores do mundo, reportou lucro de mais de meio bilhão de reais no 2º semestre deste ano. O resultado líquido ajustado, de R$ 561,7 milhões, foi 9,3% maior que no mesmo período do ano passado.

A gigante do setor não está imune à crise econômica, aumento da inadimplência, queda no financiamento estudantil e aumento da concorrência. Mas, em sua divulgação de resultados, ela apresentou medidas para resolver esses problemas no curto e longo prazo.

O obstáculo mais imediato é o impacto da crise econômica na evasão e inadimplência dos alunos.

A evasão nos cursos presenciais aumentou de 3,6% para 4,9% em um ano. Já nos cursos de ensino a distância, a parcela de alunos desistentes subiu de 6,7% para 7,1%.

Por isso, a companhia lançou em 2015 o programa Permanência. Com análise de dados, “conseguimos entender o comportamento do aluno e tentar evitar a evasão”, afirmou Rodrigo Galindo, presidente da Kroton.

Ao mesmo tempo que muitos alunos deixam as escolas da companhia por causa da crise, outros atrasaram ou deixaram de pagar as mensalidades. A inadimplência dos cursos presenciais, excluindo financiamentos tanto públicos quanto privados, subiu de 6,5% a 6,9%.

Para se proteger das possíveis perdas com o não pagamento, as provisões da empresa cresceram 21,4% para R$ 90,4 milhões.

Financiamento

O governo está fazendo uma revisão profunda dos programas de financiamento do ensino privado, o Fundo Financiamento Estudantil (Fies).

Isso impacta diretamente a companhia: 51,6% dos estudantes da graduação presencial possuem financiamento do Fies, fatia menor que há um ano, quando era o porcentual era de 58%.

Com o corte nas vagas oferecidas pelo programa, a Kroton terminou o trimestre com redução de 1,6% no número de alunos em comparação com o mesmo período do ano passado.

A companhia está oferecendo seu próprio programa de financiamento, o Parcelamento Estudantil Privado (PEP). Ao final do trimestre, 32,8 mil alunos estavam inscritos nesse plano, que permite pagar 50% da mensalidade após a formatura.

A Kroton também apresentou outras medidas internas para contrabalançar as perdas com o corte do Fies. Semestralmente ela revisa todos seus processos em busca de oportunidades para cortes de custo, por exemplo.

Ela também está incluindo a tecnologia em aulas de cursos presenciais, com as disciplinas interativas. Parte do conteúdo é oferecido em plataformas virtuais, o que diminui o custo da empresa.

Além disso, elevou o tíquete médio, valor pago em média por aluno, em 9% no 1º semestre do ano, para R$ 752,60.

Estácio

Sempre em expansão, a Kroton anunciou a compra da Estácio, em julho deste ano. Juntas, elas são de longe a maior empresa de educação do Brasil, com mais de 1,58 milhão de alunos.

Este trimestre, a Estácio anunciou prejuízo de R$ 19,9 milhões, por causa de baixas contábeis feitas nos balanços desde 2014. Ela identificou “transações consideradas não compatíveis com os padrões e políticas da companhia”, o que causou perdas acumuladas de R$ 108 milhões desde 2014.

Nada muda para a Kroton, no entanto. “Já tínhamos a perspectiva de que ocorreriam ajustes nos números da companhia, não é uma grande novidade para nós”, afirmou Galindo.

O presidente está confiante na capacidade da empresa de se unir à Estácio e de gerar cortes de custo e ganhos de eficiência. “A nossa operação na Kroton é bastante estável e por isso acredito que estamos preparados para esta fusão”, afirmou.

As duas empresas só começarão a fusão após a aprovação dos acionistas, que deverá acontecer em assembleia na segunda-feira, dia 15, e do aval do Cade.