Com dívida de R$ 7,5 bi, PDG vai pedir recuperação judicial

Pessoas familiarizadas com o assunto dizem que não há outro caminho possível e que o martelo já está batido

São Paulo – A incorporadora PDG vai entrar com pedido de recuperação judicial em janeiro, apurou o jornal O Estado de S. Paulo com duas fontes a par do assunto.

Com dívida total estimada em cerca de R$ 7,5 bilhões, a necessidade do pedido de proteção da Justiça contra credores ficou mais evidente depois de a companhia informar ao mercado, na noite de terça-feira, 20, que não vai pagar juros relativos a debêntures (títulos de dívida) emitidas.

Essa decisão resultará no vencimento antecipado desses títulos, cujo saldo somava R$ 206,4 milhões na terça-feira, segundo comunicado da companhia na Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Em nota ao mercado nesta quarta-feira, 21, a PDG reiterou que não há decisão tomada sobre a recuperação judicial.

No entanto, pessoas familiarizadas com o assunto dizem que não há outro caminho possível e que o martelo já está batido.

A decisão só não virá logo no início do ano porque a empresa está “protegida” pelo recesso do Judiciário, que suspende citações e decisões. Desta forma, o mais provável é que a companhia formalize o pedido após o dia 20 de janeiro, quando o Judiciário retoma o expediente normal, explicou uma fonte.

Além do alto endividamento e do fato de seus títulos agora estarem sujeitos à execução, a PDG enfrenta problemas com atrasos na maioria das 30 obras que ainda está tocando, disse outra pessoa a par da situação da companhia. Esses problemas operacionais se refletem em um número considerável de processos de consumidores contra a companhia.

Mesmo após a formalização do processo, a PDG promete dar trabalho ao Judiciário. A empresa tem mais de 700 sociedades de propósito específico (SPEs) em parceria com outros empreendedores. Isso deve tornar o processo de protocolo da recuperação judicial bem mais lento do que o usual.

“É um caso emblemático do setor. A empresa já foi uma estrela do segmento e essa decisão pode ter repercussão sobre outras companhias que estão em situação financeira delicada”, disse uma fonte.

Embora a empresa não seja a primeira construtora a pedir proteção judicial – essa distinção é da Viver -, seu porte e influência no segmento são bem menores do que os da PDG.

De janeiro a setembro, a construtora teve prejuízo de R$ 2,89 bilhões, alta de 259% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia reportou dívida bruta de R$ 5,4 bilhões no período.

A PDG encerrou o terceiro trimestre com R$ 250 milhões em caixa e R$ 490 milhões de dívidas corporativas que vencem em 2017, segundo documento divulgado em setembro.

Trajetória

A PDG emergiu como potência imobiliária na década passada, após fazer importantes aquisições. A companhia abriu o capital em 2007. Três anos depois, deu seu maior passo – a compra da Agra, então comandada pelo investidor espanhol Enrique Bañuelos, garantindo a liderança do setor.

Em 2012, no entanto, o negócio já enfrentava dificuldades. Apesar disso, atraiu investimento da Vinci Partners, que fez uma capitalização no negócio de R$ 483 milhões, em 2015.

As mudanças de estratégia e os novos investimentos, no entanto, não surtiram o efeito esperado. A PDG vem se esforçando para vender seus estoques e fez cortes profundos na operação – só em 2015, o total de funcionários foi reduzido em 60%, para 1.175.

Nos últimos meses, a companhia passou a estudar várias alternativas para sair da crise. Em novembro, a PDG anunciou a contratação da assessoria de reestruturação financeira RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher, conhecido como Ricardo K.

Também mudou de comando: o executivo Vladimir Ranevsky assumiu a empresa, após ter liderar a OSX, de Eike Batista, durante o processo de recuperação judicial.

Procurados, PDG e RK Partners não retornaram os pedidos de entrevistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.