Com a crise, essas 10 empresas venderam ativos em 2016

Além de cortes de custos, algumas empresas decidiram vender partes de seus negócios ou participações minoritárias

São Paulo – O ano de 2016 não foi fácil para as empresas. Desemprego, redução no consumo, queda de preços de commodities e investigações impactaram fortemente o balanço das companhias brasileiras e internacionais.

Por isso, além de cortes de custos, algumas empresas decidiram vender partes de seus negócios ou participações minoritárias em outras empresas.

A operação mais recente foi a venda da Vale Fertlizantes para a Mosaic. Petrobras, CSN e o Citigroup também estão na lista. Confira abaixo quais foram as empresas que venderam ativos esse ano.

Vale

A Vale anunciou ontem que vendeu alguns ativos de fertilizantes para a norte-americana Mosaic. O valor, de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, será pago em dinheiro e em ações ordinárias.

Com a queda no preço das commodities, ela se desfez dos ativos para se concentrar nos seus negócios principais de mineração. No mesmo sentido, em abril a mineradora anunciou a venda de sua participação 26,87% na deficitária Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) para a sócia alemã Thyssenkrupp, por um valor simbólico.

Odebrecht

Envolvida na Lava Jato, a Odebrecht busca vender parte de seus ativos para cumprir com seus compromissos financeiros. Sua maior venda ocorreu em outubro, quando a gestora canadense Brookfield comprou 70% da Odebrecht Ambiental por US$ 768 milhões.

Além disso, a divisão de energia vendeu sua subsidiária Odebrecht Energias Alternativas ao Grupo NC, formado por 10 empresas. Já a subsidiária Odebrecht Latinvest vendeu sua participação no projeto Olmos, de irrigação do Pero, para a Brookfield Infrastructure para a Suez.

Petrobras

Para reforçar seu caixa e reduzir a dívida, a Petrobras está com um plano ousado de desinvestimentos. A empresa pretende para completar US$ 57,7 bilhões em vendas de ativos em cinco anos. Em setembro, se desfez da Nova Transportadora Sudeste, que foi adquirida por um consórcio liderado pela canadense Brookfield. O valor foi de US$ 5,2 bilhões.

Também vendeu sua participação de 66% de uma área de exploração de petróleo na costa brasileira, chamada de Carcará, localizada na Bacia de Santos. A compradora foi a norueguesa Statoil ASA, por US$ 2,5 bilhões.

Com a venda da Liquigás em novembro, a estatal chegou mais perto de bater a sua meta. A subsidiária de engarrafamento e distribuição de gás liquefeito foi comprada pelo Grupo Ultra, que possui a Ultragaz, a rede de postos Ipiranga e a Extrafarma, entre outros negócios.

Citibank

O Itaú Unibanco fechou a compra da operação do varejo do Citibank no Brasil por R$ 710 milhões, em outubro. Foram vendidos os negócios de varejo voltados a pessoas físicas, além das participações societárias detidas pelo Citibank na TECBAN – Tecnologia Bancária S.A. e na Cibrasec – Companhia Brasileira de Securitização.

Com foco no cliente institucional, o Citigroup também busca se desfazer de operações na Argentina e na Colômbia e, em julho, fechou as contas correntes que operava na Venezuela.

CSN

Com uma dívida líquida ajustada de R$ 25,873 bilhões, a CSN vendeu 100% das ações de sua controlada Cia. Metalic do Nordeste (Metalic). A operação, firmada com a polonesa Can-Pack S.A., teve valor de US$ 98 milhões.

A empresa ainda planeja vender outros ativos como parte de seu plano de desinvestimentos, como o Terminal de Contêineres (Tecon).

BTG Pactual

Depois da prisão do ex-presidente do BTG Pactual, André Esteves, em novembro de 2015, o banco reduziu muito o seu tamanho. O BTG Pactual vendeu desde então US$ 3,5 bilhões em ativos para levantar capital e demitiu centenas de funcionários.

Entre os negócios fechados, está a venda da varejista Leader por menos de R$ 1.000 para a Legion Holdings, a reestruturação da Brasil Pharma com venda de algumas marcas e a transferência de sua subsidiária suíça BSI ao banco também suíço EFG International, por 1,33 bilhão de francos suíços (US$ 1,34 bilhão).

Camargo Corrêa

Empreiteira envolvida na Lava Jato, a Camargo Côrrea se desfez de sua fatia de 23% no bloco de controle da CPFL Energia para a gigante estatal chinesa State Grid Corp. O negócio foi avaliado em R$ 5,85 bilhões. Ela ainda negocia a venda de sua unidade de cimentos na Argentina.

Hypermarcas

Para se focar no mercado farmacêutico, que tem margens mais altas, a Hypermarcas vendeu, em janeiro, seu negócio de preservativos. A operação foi firmada com a Reckitt Benckiser (Brasil) Ltda. O negócio de preservativos, que inclui as marcas Jontex, Olla e Lovetex, gerou uma receita líquida de R$ 100,2 milhões em 2014, pouco mais de 2% da receita líquida da Hypermarcas no período.

LafargeHolcim

Não são apenas empresas brasileiras que precisaram reduzir seu tamanho para enfrentar dívidas, investigações ou obstáculos no mercado. Empresas internacionais também seguiram o caminho.

A LafargeHolcim vendeu a maior parte de seus ativos de cimento na China para a Huaxin Cement. A venda de 13 usinas de produção de cimento e quatro instalações de moagem foi acertada por uma quantia estimada em 208 milhões de francos suíços, disse o grupo de produção de cimento. O negócio irá ajudar a reduzir a dívida líquida da companhia, que é de 376 milhões de francos.

UniCredit

O banco italiano UniCredit vendeu sua gestora de recursos Pioneer Investments para o fundo de investimentos Amundi, com sede em Paris, por 3,8 bilhões de euros. A operação serviu para amenizar as preocupações dos investidores com a saúde financeira do banco.

Comentários

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  1. Artur Danilo Teixeira

    Todas as empresas nacionais (com apenas uma exceção) citadas na matéria tem em seus históricos recentes manchas por corrupção, ligo a venda de ativos ou remete-se a tamponamento de buracos orçamentários feitos pós estouro dos esquemas ou redução de gordura criada com corrupção pós estouro dos esquemas.
    Acrescentar casos estrangeiros de forma a balizar a situação destas empresas nacionais não faz sentido, visto que as motivações pra venda de ativos sejam totalmente diferenciadas.