Bunge quer “reiventar” acordos com produtores de soja do Brasil

Empresa quer que os produtores concordem em vender suas safras futuras, antes da colheita, oferecendo a eles ajuda extra com serviços

Chicago – Com os produtores brasileiros estocando soja em razão dos baixos preços, a Bunge está buscando mudar a forma como compra safras em um esforço para impulsionar as vendas e restabelecer as margens de lucro.

A Bunge, uma das maiores processadores globais de oleaginosas, quer que os produtores concordem em vender suas safras futuras, antes da colheita, oferecendo a eles ajuda extra com serviços, tais como financiamento e gerenciamento de risco de preço, disse o presidente-executivo da companhia, Soren Schroder, em uma teleconferência com analistas na quarta-feira.

“Sentimos que podemos intensificar isso”, afirmou. “É nosso objetivo reinventar a maneira como negociamos com o produtor.”

A Bunge e seus concorrentes sofreram com o fato de os produtores brasileiros estocarem a soja da safra deste ano, em vez de comercializá-la em meio às cotações baixas. Isso reduziu as margens, forçando as companhias a competir entre si para adquirir o produto, apesar das amplas reservas.

No Brasil, empresas como Cargill geralmente fornecem insumos aos produtores, como químicos e sementes, em troca da venda futura de parte da colheita deles para elas, disse John Baize, consultor de política e comércio agrícola internacional. Com esses acordos, os produtores não precisam fazer empréstimos para adquirir os materiais.

A Cargill não tinha um comentário imediato sobre o plano da Bunge de fortalecer suas ofertas. A Archer Daniels Midland (ADM), outra rival, disse em comunicado que está “sempre evoluindo sobre como pode trazer mais valor a essas importantes relações” com produtores brasileiros.

A movimentação da Bunge é a última dentre as grandes empresas de grãos para lidar com a ampla oferta global, que colocou os preços para baixo e reduziu a volatilidade essencial para ganhos.

Na quarta-feira, a Bunge manteve as portas abertas para uma possível venda após reportar queda de 34 por cento no lucro do segundo trimestre. A empresa também cortou suas projeções para os ganhos do segmento de agronegócio justamente em razão das vendas menores por produtores brasileiros.