Brookfield amplia oferta pelo bloco de controle da Renova

A Brookfield compraria a participação de 16% que a Light SA tem na Renova pelo equivalente a 9 reais por Unit, disseram fontes

São Paulo – A Brookfield Asset Management ampliou a oferta para aquisição do controle da Renova Energia, incluindo a fatia detida pela Cemig, maior acionista na empresa de energia renovável, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto nesta sexta-feira.

Pelos termos da nova oferta, que foi melhorada e apresentada na segunda-feira, a Brookfield compraria a participação de 16 por cento que a Light SA tem na Renova pelo equivalente a 9 reais por Unit da empresa de renováveis, disseram as pessoas.

A mesma oferta foi feita à elétrica mineira Cemig e à RR Participações SA, que dividem o bloco de controle com a Light, disseram as pessoas.

A canadense Brookfield, que tem realizado grandes aquisições em infraestrutura e energia no Brasil ao longo do último ano, pagaria cerca de 810 milhões de reais pelo bloco de controle da Renova, além de injetar 800 milhões de reais em dinheiro novo na companhia, disse uma das fontes.

A Cemig recusou-se a comentar, enquanto a Light disse que “conversas com potenciais interessados na Renova continuam”, sem fazer comentários adicionais. Chamadas para um porta-voz da Brookfield em São Paulo não foram imediatamente respondidas, enquanto representantes da RR não puderam ser encontrados para comentar.

As Units da Renova reverteram perdas após a notícia da Reuters e fecharam em alta de 3,55 por cento.

A Light disse mais tarde em comunicado ao mercado que “até a presente data não celebrou qualquer compromisso formal para a alienação da participação acima referida à Brookfield, sendo a oferta apenas a representação de uma intenção de aquisição…”.

A Renova também divulgou comunicado ao mercado, afirmando que “a proposta recebida da Brookfield tem caráter não vinculante, não tendo a companhia recebido anteriormente qualquer notificação formal de seus controladores, tampouco outra proposta de capitalização”.

O interesse na Renova aparece em um momento em que investidores estrangeiros veem o setor de energias renováveis do Brasil como mais resistente à maior crise do país.

Para a Cemig, sair da Renova permitiria acelerar esforços para refinanciar quase 5 bilhões em dívidas com vencimento neste ano.

ACORDO FINAL

Membros do Conselho de Administração da Cemig, que possui 44 por cento das ações com direito a voto na Renova, devem formalizar seu apoio à nova proposta da Brookfield na próxima quarta-feira, disse uma das fontes.

Um acordo entre Brookfield, Renova e o bloco de controle pode ser assinado a partir de 14 de julho, disse uma das pessoas, que pediu anonimato porque as negociações continuam privadas.

A compra de todo o bloco de controle daria à Brookfield 82,2 por cento das ações ordinárias da Renova.

Uma das fontes disse que a Renova melhorou sua oferta devido a uma proposta rival da OakTree Capital Management, que propôs refinanciar dívidas e injetar dinheiro novo na empresa de renováveis, conforme publicou a Reuters em 5 de julho.

Em uma oferta de 9 reais por ação, a Brookfield pagaria um prêmio de 28 por cento por Unit da Renova, com base no fechamento de 30 de junho. Cada Unit representa uma ação ordinária e duas preferenciais.

A proposta da Brookfield também daria tratamento igual aos acionistas minoritários, que poderão exercer o direito de “tag along”, disseram as fontes.

A Renova, que foi fundada em 2001, têm sofrido com uma crise de liquidez desde o fracasso de uma parceria com a norte-americana SunEdison no final de 2015. A elétrica dos EUA injetaria dinheiro na companhia, mas desistiu do negocio após sua matriz entrar com pedido de proteção contra credores.