Brian Tracy: na crise, vale baixar até os salários de chefes

O consultor e especialista em business coaching Brian Tracy estará no Brasil na próxima semana e falou a EXAME.com sobre a mensagem que quer deixar para o país

São Paulo – Abrir o jogo para os funcionários sobre as dificuldades, cortar tudo o que não for essencial e, às vezes, até diminuir os próprios salários.

É isso o que os gestores devem fazer para contornar momentos de turbulência, segundo o consultor e especialista em business coaching Brian Tracy.

O canadense estará no Brasil na próxima semana para participar do Fórum Internacional de Negócios e Coaching, promovido pela Sociedade Brasileira de Coaching, que ocorre nos dias 18 e 19.

Por e-mail, ele falou a EXAME.com sobre como ajudou empresas a sobreviver à crise de 2008 e deu dicas para as companhias brasileiras superarem o momento complicado que o país atravessa.

Confira os melhores trechos da conversa:

EXAME.com – Você ajudou algumas empresas a se ajustarem para sobreviver à crise de 2008, nos Estados Unidos. Como?

Brian Tracy – Eu trabalhei com mais de 200 empresas desde a crise de 2008, a maior parte das vezes em seminários e workshops. Quando uma companhia está com problema, a primeira coisa que eu ensino a ela, antes de tudo, é praticar o “abandono criativo”.

Trata-se de perguntar: existe algo que fazemos hoje que não começaríamos a fazer de novo, sabendo o que sabemos agora? Qualquer que seja a resposta, pare de fazer imediatamente.

Descontinue produtos, feche lojas, demita pessoal extra e, então, foque em fazer somente aquelas coisas que vão gerar lucro imediato.

A sobrevivência é a questão mais importante nesse ponto. Concentre-se naqueles 20% de produtos e consumidores que respondem por 80% das vendas e lucros.

Muitas empresas foram salvas ao se reorganizarem completamente em torno dessas perguntas e de suas respostas.

EXAME.com – A crise que começou nos Estados Unidos e afetou o mundo todo em 2008 estava relacionada a crédito e inadimplência. A que enfrentamos hoje no Brasil é, sobretudo, de falta de confiança. Isso muda o jeito como as empresas devem agir para passar por ela? Como?

Brian Tracy – Quando a crise é de confiança, como no Brasil, é necessário colocar a honestidade e a integridade em primeiro lugar e fazer o possível para conquistar os consumidores.

O negócio precisa focar em produtos em serviços de alta qualidade e dar garantias de satisfação incondicionais.

Os funcionários-chave na companhia devem focar intensamente na satisfação do consumidor. E esse jeito de conduzir a empresa deve continuar após a crise.

EXAME.com – Como as companhias podem motivar os funcionários durante crises, quando há cortes de custos e demissões?

Brian Tracy – As empresas podem motivar os funcionários contando a eles o que está acontecendo e como a economia atual afeta o trabalho deles.

Elas podem fazer reuniões diárias para manter os funcionários informados. Às vezes, em vez de demitir, a companhia pode criar um “programa de compartilhamento do trabalho”, como já ocorreu em outros países.

Nesse sistema, todo mundo concorda em trabalhar três ou quatro dias por semana, por um salário menor, para garantir que todo mundo continue empregado e com renda, ainda que ela fique menor.

Os donos e diretores também devem concordar em reduzir sua remuneração em 20% a 50% até que o negócio se recupere.

EXAME.com – Como os líderes devem agir em tempos de crise?

Brian Tracy – A única coisa que é inevitável na vida de um líder é a crise. Em tempos de crise, o líder deve se manter calmo e confiante.

Ele deve falar com todos os funcionários e contá-los o que está acontecendo. Ele deve parecer otimista, ainda que esteja nervoso por dentro. Todo mundo está observando o líder e decidindo como se sentir e agir com base no comportamento dele.

EXAME.com – Você enxerga alguma empresa brasileira fazendo um bom trabalho para vencer esta crise? Qual? Por quê?

Brian Tracy – Não estou familiarizado com os trabalhos internos e decisões tomadas em empresas brasileiras. Essas ações são quase secretas, confidenciais, mesmo nos Estados Unidos e Europa. Ninguém de fora sabe o que acontece dentro de uma companhia.

EXAME.com – Que mensagem você quer passar aos brasileiros durante o seminário aqui em São Paulo, na próxima semana?

Brian Tracy – Minha mensagem para os dois dias do seminário “Business Model Reinventation” (reinvenção do modelo de negócio, em tradução livre) é que há muitas maneiras de as empresas conseguirem lucro, mas muitas delas usam o modelo de negócio errado para os dias de hoje.

A economia, os mercados e a competição mudaram, mas as companhias não. O modelo de negócio é composto de 12 partes, como peças de uma máquina.

Cada participante vai aprender sobre essas 12 partes e também vai descobrir como analisar qualquer negócio para ajudá-lo a ter mais sucesso.