BM&FBovespa propõe fusão com a Cetip

Fusão com a concorrente seria perfeita para a BM&FBovespa avançar no mercado de renda fixa, onde ainda tem presença pequena

São Paulo – A BM&FBovespa informou hoje que vem mantendo “tratativas preliminares” com a Cetip para propor uma fusão entre as duas empresas.

Segundo fato relevante divulgado hoje, a proposta seria apreciada inicialmente pelos conselhos das duas companhias e depois, se aprovada, submetida aos acionistas em assembleia.

A bolsa deixa claro que “não se pode assegurar que tais tratativas resultarão em uma oferta ou transação de qualquer natureza”, e que “Não existe, neste momento, qualquer proposta sobre a estrutura econômica ou societária ou sobre outros termos e condições de uma eventual transação”.

A operação de fusão com a concorrente seria perfeita para a BM&FBovespa avançar no mercado de renda fixa, onde ainda tem presença pequena apesar dos esforços para atrair investidores.

Assim, conseguiria compensar as quedas no mercado de ações, que registra baixa no volume negociado e a saída de diversas empresas em meio à ausência de novas aberturas de capital.

Já a Cetip conseguiria uma fatia do mercado de derivativos, carro-chefe da BM&FBovespa e sua principal fonte de ganhos. Ambas as empresas tinham planos de entrar nos segmentos uma da outra, mais cedo ou mais tarde.

Além disso, a proposta da BM&FBovespa pode complicar o processo de abertura de uma nova bolsa de valores no país.

A Intercontinental Exchange (ICE), uma das principais sócias da Cetip. é hoje dona da Bolsa de Nova York (NYSE), que por sua vez é sócia da Americas Trading System (ATS), empresa brasileira que está estruturando uma nova bolsa de valores no Brasil.

A ATS é uma sociedade entre a NYSE e o grupo brasileiro Americas Trading Group (ATG), que patrocina o blog Arena do Pavini. Não se sabe se o interesse da ICE por abrir uma nova bolsa continuaria após obter uma participação significativa na BM&FBovespa com a fusão.

O processo levará também a um aumento da concentração no setor de serviços financeiros, hoje dominado totalmente na área de mercados de capitais pela BM&Bovespa, que controla a negociação de ações e de derivativos e a custódia.

Será preciso, portanto, uma análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o negócio.

Já a Cetip, em fato relevante à parte, confirmou as sondagens e destacou que não existe, neste momento, qualquer proposta sobre os termos e condições de uma eventual associação.

A BM&FBovespa conta com R$ 450 milhões obtidos com a venda de parte da participação da CME, que podem ser usados na proposta de fusão para compra dos papéis dos sócios da Cetip.