Bertin faz segunda venda de ativos em menos de um mês

Bertin vende dois projetos de energia à MPX, de Eike Batista

São Paulo – A MPX Energia anunciou hoje (15/6) a aquisição de dois projetos de energia do Grupo Bertin. Esse é o segundo ativo vendido pela empresa em menos de 20 dias, o outro foram as empresas de higiene e beleza do grupo (Ox, Francis, Neutrox e Phytoderm), vendidas para o JBS por 350 milhões de reais.

Os ativos vendidos hoje integravam o portfólio de 15 usinas que o Bertin teria que entregar em 2013, referentes ao leilão A-5, realizado em setembro de 2008. Do total de 15 usinas, 13 são a óleo e duas – as que a MPX comprou – são a gás. A Petrobras já havia afirmado que não iria fornecer gás para as duas usinas do Bertin.

Por enquanto o cronograma de obras dessas usinas não está atrasado. O mesmo não pode ser dito sobre as concessões que o Bertin ganhou no leilão A-3.  O grupo deveria ter colocado em funcionamento no dia 1º de janeiro desse ano seis usinas referentes a esse leilão, o que ainda não foi feito. A potência das seis usinas somadas representa 1.059 megawatts (cada uma tem 176,5 megawatts de potência).

Pelo atraso no cronograma, o Bertin foi multado em 1,2 milhão de reais pela Aneel. O Bertin ainda não pagou as multas, recebidas no começo de maio e precisa pagá-las até os dias 27 ou 28 de junho – caso contrário, seu nome será incluso no cadastro de inadimplentes (Cadin), o que impossibilita a obtenção de empréstimos no BNDES, por exemplo.

Além da multa da Aneel, por causa do atraso na entrega dessas seis usinas, o Bertin ainda corre o risco de ser desligado do mercado de energia – o que só não acontece porque o grupo está com proteção judicial, segundo informou uma fonte a EXAME.com.

O atraso nessas seis usinas não foi o primeiro do Bertin. Ainda esse ano o  grupo tinha pendências junto à Chesf (Centrais Hidrelétricas do São Francisco), relativas às usinas termelétricas de Maracanaú (CE) e Borborema (PB). Após a venda dos ativos de higiene e beleza do grupo, ele efetuou o pagamento de 220 milhões de reais à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Com o pagamento, a penalidade que o Bertin tinha junto à CCEE – e que superava os 220 milhões de reais – deixou de existir. A CCEE não dá informações sobre as empresas, separadamente, mas afirma que o pagamento reduziu a inadimplência geral na CCEE em cerca de 60%.

Desencontros

A empresa de energia do Bertin já fez parte do consórcio da Usina de Belo Monte, mas anunciou sua saída do consórcio em meio a acusações de que não havia dado garantias financeiras. A Vale entrou em seu lugar.


A Petrobras também disse que exerceu sua opção no contrato de Suape II com o Bertin e que passou a deter o controle de Suape II, para garantir que a obra cumpra o prazo previsto. O grupo Bertin afirma que segue com 80% de Suape II.

E não é só no setor de energia que o Bertin enfrentou problemas. No começo desse ano, o braço de infra-estrutura do Bertin, a Contern, demorou para pagar a outorga relacionada à construção do trecho leste e à operação do trecho sul do Rodoanel – uma licitação que venceu oferecendo um ousado valor para as tarifas. Em março o grupo pagou a outorga de 389 milhões de reais, incluindo correções, e garantiu os recursos de capital próprio para o primeiro ano do trecho Leste do Rodoanel.