Banco JBS vai entrar em crédito imobiliário e cartões de crédito

Após fusão com o banco Matone, a instituição especializada na área agropecuária vai aprender sobre operações de varejo, segundo presidente do banco

São Paulo – Com a fusão anunciada hoje (14/3) entre os bancos JBS e Matone, a holding J&F – que já possui o Banco JBS, focado na área agropecuária – passará a ter em seu portfólio um banco com patrimônio líquido de cerca de 550 milhões de reais e uma carteira de crédito de 2,5 bilhões de reais.

Com o apoio do Matone, no segundo semestre ou início de 2012, o JBS planeja entrar no mercado de crédito imobiliário e de cartões, entre outros planos.

Emerson Loureiro, presidente do banco JBS, ficará à frente da nova instituição. O conselho de administração ainda não foi escolhido. Sabe-se apenas que ele terá cinco assentos, sendo três escolhidos pela holding J&F e dois pelo Matone.

“É uma união para crescer no varejo; é o nosso grande mote, de alguma forma queremos capturar esse crescimento que o Brasil vai ter nos anos que virão. Queremos, através do banco, participar disso”, afirmou Loureiro, em entrevista a EXAME.com

Confira a íntegra da entrevista.

EXAME.com – Qual será o foco do novo banco?
Emerson Loureiro – Os focos não mudam, eles se ampliam, porque o banco do agronegócios que temos (Banco JBS) seguirá atuante. A nossa opção por começar a considerar outros negócios surgiu da nossa crença de que o banco do agronegócio está bem encaminhado, a partir disso começamos a considerar outros negócios, e as operações de varejo foram atrativas. A idéia é manter os focos no agronegócio e crédito consignado de setor público. Depois, crédito imobiliário e, talvez, cartões de crédito, mas tudo no seu devido tempo.

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– Quando será o devido tempo?
Loureiro – Vamos considerar seriamente entrar em crédito imobiliário no segundo semestre desse ano ou começo do ano que vem. Para a área de cartão de crédito, é a mesma coisa. Temos que entender melhor a operação de varejo, que é a expertise do Matone. Temos que, pela associação, entender a atividade dele e julgar os prazos.



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– Como se estrutura a operação?
Loureiro – A operação foi uma fusão, por troca de ações, em que os bancos terão participações próximas, 60% da holding J&F e 40% da Matone holding. Após os aportes feitos, de 200 milhões de reais da holding JBS e de até 100 milhões de reais da Mantone, o banco vai ter um patrimônio líquido de 550 milhões de reais, aproximadamente, e carteira de crédito aproximada de 2,5 bilhões.

EXAME.com – Quando a nova estrutura entrará em operação?
Loureiro – A  expectativa é que, nos próximos 90 dias, os bancos façam a due diligence necessária entre si e depois assinem o contrato final, que será submetido ao Banco Central. O banco será controlado por uma holding financeira. Quando assinarmos os contratos, teremos escolhido o nome. Será somente uma marca. O nome está em estudo, e não será JBS.

EXAME.com – Quanto os senhores esperam absorver de sinergias?
Loureiro – Difícil falar, porque são negócios muito distintos. Os bancos são quase que complementares. Se houver sinergias, serão na parte administrativa. A maior que ganhamos é de pessoas. Tem muitas pessoas muito capazes nos dois lugares.

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– Há planos de novas aquisições de bancos?
Loureiro – As aquisições fazem parte do DNA da J&F. A empresa cresceu a partir desse modelo. Por definição, fusões estão sempre no nosso radar, mas isso não quer dizer que vamos fazer fusões por fazer. Faremos quando julgarmos que há um bom negócio. Qualquer coisa que seja complementar, porque o banco só tem dois segmentos. Ainda temos, do ponto de vista bancário, uma gama muito grande de coisas a fazer. Investment bank é um exemplo de interesse, mas no momento não estamos olhando nada. Nosso objetivo agora é entender a operação de varejo, fundir efetivamente os dois bancos e aí sim começar a avaliar outras operações.

EXAME.com – Nesse momento pós-PanAmericano, o financiamento de bancos médios está difícil. Como captar dinheiro?
Loureiro – O banco Matone tem uma grande tradição no mercado de crédito. A criação da central de risco talvez mitigue um pouco esse medo do crédito consignado. Acho que é uma questão de esperar o tempo passar e ver que o sistema está sólido, como sabemos que está. É uma questão de tempo para que a liquidez volte.

EXAME.com – Isso não preocupa, então?
Loureiro – Dizer que não preocupa é pretensão. Acreditamos que á absolutamente administrável.