Ballmer deixa o conselho de administração da Microsoft

Ballmer trabalhou na companhia por 34 anos e é o maior acionista individual da Microsoft, mas já vem se desfazendo de suas ações nos últimos anos

São Paulo – Seis meses após passar o bastão do cargo de presidente executivo da Microsoft para o indiano Satya Nadella, a era de Steve Ballmer na empresa chegou definitivamente ao fim.

O executivo renunciou, na terça-feira, 19, ao cargo no conselho de administração da companhia por meio de uma carta endereçada a Nadella e divulgada pela Microsoft.

Ballmer trabalhou na companhia por 34 anos e é o maior acionista individual da Microsoft, à frente, inclusive, do cofundador Bill Gates, que vem se desfazendo de suas ações ao longo dos últimos anos.

Ele declarou que não pretende se desfazer de seus papéis, o que deve manter um pouco da sua influência ainda que de forma indireta.

Na carta de renúncia, o executivo alegou que há meses estava refletindo sobre sua vida e que considerou o momento apropriado para anunciar a sua decisão. Agosto é o mês em que a Microsoft começa a preparar o chamado “Proxy Statement”, um comunicado entregue aos acionistas antes da reunião anual que adianta eventos importantes do encontro e dá subsídios suficientes para que eles possam votar.

“Eu não tive nenhum tempo para contemplar a minha vida pós-Microsoft até o meu último dia na empresa. Nos últimos seis meses desde minha saída fiquei bastante ocupado. Uma combinação dos Clippers, contribuição cívica, ensino e estudo vêm ocupando muito do meu tempo”, afirmou em seu comunicado.

Ballmer comprou em maio o time de basquete Los Angeles Clippers por US$ 2 bilhões (leia mais ao lado) e deve ter uma agenda atribulada nos próximos meses com o início da próxima temporada da liga americana de basquete dos Estados Unidos, a NBA, em outubro.

Reestruturação

Para muitos dentro da empresa, a saída de Ballmer já era esperada, uma vez que o executivo foi pressionado pelo conselho da Microsoft para acelerar sua aposentadoria no ano passado.

Em 2013, a companhia iniciou uma reestruturação na tentativa de se tornar mais ágil e harmonizar seus negócios de software com hardware.

“Minha ideia originalmente era de que minha aposentadoria ocorresse durante a transformação da companhia para uma empresa de aparelhos e serviços”, declarou Ballmer na época.

Segundo ele, o plano mudou porque a companhia necessitava de um executivo que permanecesse por mais tempo após essa transição.

Com a compra do Los Angeles Clippers, Ballmer encontrou um novo foco para sua carreira. “A Microsoft está no meu sangue há 34 anos e sempre estará. Eu continuo amando discutir o futuro da empresa, testar novos produtos e enviar minha opinião. Adoro ler sobre o que acontece com a companhia. Podem contar comigo para manter as ideias fluindo”, afirmou na carta divulgada ontem.

Em resposta, Nadella, o atual presidente executivo da empresa, disse que “apoia e entende a decisão” e agradeceu Ballmer pelos anos dedicados ao negócio e seus ensinamentos.

Nadella comanda atualmente a maior reestruturação da história da Microsoft. Em julho, anunciou o corte de 18 mil vagas ao longo de 2015, o equivalente a 14% da sua força de trabalho. A maioria dos cortes ocorrerá nas companhias que a empresa adquiriu da finlandesa Nokia.

O executivo afirmou que os cortes têm o objetivo de dar mais agilidade à Microsoft e colocar, no lugar de uma empresa de “dispositivos e serviços” (lema criado por Ballmer), um grupo capaz de ajudar as pessoas a serem mais produtivas.

“A ideia de dispositivos e serviços nos ajudou durante a transição, mas agora é preciso pensar no que nos torna únicos”, afirmou Nadella.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.