Baker Hughes reduz equipe no Brasil após perder contratos

A terceira maior fornecedora de serviços em campos de petróleo do mundo perdeu contratos com a Petrobras para sua concorrente Halliburton

Rio de Janeiro – A Baker Hughes Inc., terceira maior fornecedora de serviços em campos de petróleo do mundo, está reduzindo sua equipe no Brasil após perder contratos com a Petrobras para sua concorrente Halliburton Co., disse o Sindicato dos Petroleiros.

A Baker Hughes demitiu cerca de “150 trabalhadores nos últimos dois meses e disse que demitirá outros 150”, disse José Rangel, diretor do Sindipetro Norte Fluminense, que representa parte dos trabalhadores, em entrevista por telefone, de Macaé, Rio de Janeiro.

Os cortes ocorrem na sequência da perda de contratos para outras empresas, algumas das quais estão contratando os trabalhadores demitidos, disse Rangel.

Empresas de serviço como a Baker Hughes, com sede em Houston, estão enfrentando margens menores em contratos com a Petrobras, que responde por 92 por cento da produção de petróleo do Brasil, em um momento em que a petrolífera estatal busca reduzir custos. A Baker Hughes teve uma substancial “desmobilização” no terceiro trimestre, disse o CEO Martin Craighead em 18 de outubro.

A Halliburton, a fornecedora número 2, demitiu cerca de 100 trabalhadores neste ano mesmo após conquistar trabalho adicional, segundo o sindicato.

“A Baker Hughes reposicionou ativos e equipes fora do Brasil após perder participação de mercado para a Halliburton”, disse Brad Handler, analista em Nova York da Jefferies Group LLC, por telefone. “A Halliburton aumentou seus recursos na expectativa de conseguir mais trabalhos, mas agora está buscando reduzi-los após registrar volumes menores que o esperado”.

Participação de mercado

Christine Mathers, porta-voz da Baker Hughes, disse em uma resposta a perguntas por e-mail que a empresa tem mais de 1.800 empregados no Brasil e continua executando um plano para melhorar a lucratividade. Ela preferiu não comentar a respeito das demissões.


A Petrobras preferiu não comentar a respeito de decisões tomadas por outras empresas ou seus programas de perfuração, disse em uma resposta enviada por e-mail. A Halliburton não respondeu às perguntas enviadas por e-mail. As ações da Baker Hughes subiram 32 por cento nos últimos 12 meses, enquanto a Halliburton está em alta de 57 por cento.

A participação da Baker Hughes no mercado de serviços de perfuração offshore no Brasil caiu para cerca de 20 por cento, contra 50 por cento após a rodada de contratações de 2012, enquanto a Halliburton subiu para 50 por cento, disse Handler.

A Halliburton está crescendo em um momento em que a Petrobras corta alguns programas de perfuração do pré-sal para focar na bacia de Campos, onde pode obter petróleo mais rapidamente porque possui uma rede de plataformas e dutos instalados, disse ele.

Mudança de foco

“No Brasil, temos visto uma significativa redução na atividade de perfuração ao longo do ano com uma mudança no foco”, disse o diretor de operações da Halliburton, Jeff Miller, em uma teleconferência em 21 de outubro.

“Estamos trabalhando com nosso cliente para dimensionar nossa presença operacional, mas esperamos que os níveis reduzidos de atividade se estendam no quarto trimestre e continuem no ano que vem”.


O papel da Petrobras como a produtora dominante deixa as empresas de serviço vulneráveis a mudanças em seus planos de investimento, disse Will Honeybourne, diretor-gerente da First Reserve, uma empresa de private equity que investe na indústria de petróleo e gás.

A obrigação legal da empresa de operar todos os novos projetos do pré-sal com um mínimo de 30 por cento de participação significa que os fornecedores continuarão dependentes de um único cliente no futuro, disse ele.

A Petrobras tomou medidas para reduzir os custos e aumentar a eficiência no ano passado depois que Maria das Graças Foster se tornou CEO. A empresa tem um plano de investimento de cinco anos, de US$ 237 bilhões, centrado em torno do desenvolvimento das maiores descobertas de petróleo do mundo neste século em águas profundas.

Embora esteja desenvolvendo as reservas do pré-sal, a Petrobras obteve taxas de vazão maiores do que o esperado nos poços, o que a levou a reconsiderar o número de poços necessário.

Sob contratos brasileiros o número de poços a serem perfurados pode ser alterado e a Halliburton agora está negociando para levar equipamentos para fora do país após expandir para um nível de capacidade mais elevado que o necessário, disse Handler, da Jefferies.