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André Esteves, do BTG Pactual: negócio melou com o temor de as complicações financeiras do Cruzeiro do Sul serem maiores
São Paulo – Segundo o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o banco de investimento BTG Pactual não levou o Cruzeiro do Sul porque pediu garantias demais para comprá-lo. Com o fracasso das conversas, o FGC assumiu a administração do banco nesta segunda. Seus controladores, da família Indio da Costa, foram afastados depois do Banco Central identificar um rombo de 1,3 bilhão de reais na instituição. Para se ter uma ideia, o montante supera todo patrimônio líquido do Cruzeiro do Sul, avaliado em 1,1 bilhão no primeiro trimestre do ano. Traduzindo: mesmo se vendesse tudo, o banco ainda ficaria com 200 milhões de reais no vermelho.
Em coletiva à imprensa, Antonio Carlos Bueno, diretor executivo do FGC, afirmou que era natural esperar que essa fosse a postura do BTG. "O comprador legitimamente procura se defender. Ele quer saber quem vai pagar a conta se encontrar um problema a mais", afirmou. "Mas pelo desconhecimento que temos dos números exatos, muitas proteções foram colocadas ao negócio. Ficou tão amarrado que ficamos inseguros em tomar qualquer tipo de decisão."
Não é a primeira vez que o banco do bilionário André Esteves se interessa por uma instituição com inconsistências no balanço. E a preocupação com a possibilidade do problema se agigantar traz à tona um passado não tão distante. Até outubro de 2010, o PanAmericano era mais lembrado pelo seu antigo dono – o empresário e apresentador Silvio Santos. Foi quando o Banco Central descobriu que a instituição vendia carteiras de crédito para outros bancos, mas não dava baixa nesses ativos, inflando artificialmente seu caixa.
Depois de um déficit estimado em 2,5 bilhões de reais, o banco precisou ser socorrido pelo FGC. Mas investigações seguintes alargaram o tamanho do buraco, que chegou a 4,3 bilhões. Para se livrar do problema e não comprometer seus outros negócios, Silvio Santos vendeu o controle do PanAmericano ao BTG Pactual no começo de 2011. A essa altura, a Caixa Econômica Federal já se tornara sócia do banco.
De novo?
Para Antonio Carlos Bueno, contudo, os dois casos guardam suas diferenças. O Cruzeiro do Sul bateu à porta do Fundo Garantidor de Crédito na última quinta-feira, depois de ver expirar seu prazo para dar explicações ao BC. Sem ter como levantar recursos para cobrir a diferença apontada entre ativo e passivo, o banco recorreu à entidade para assessorá-lo na empreitada.
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