Após venda da Estácio, Zaher aposta em ensino para a elite

Depois de vender a Estácio, Chaim Zaher vai lançar a Concept, um novo modelo de escola voltado para a elite

São Paulo – Dois meses após acertar a venda da Estácio de Sá, segunda maior empresa de educação superior do País, à rival Kroton, o empresário Chaim Zaher – que, paralelamente à sociedade na Estácio, é dono do Grupo SEB – está lançando um projeto de educação básica que promete desafiar os padrões tradicionais de aprendizado.

Após três anos de pesquisa, visitas a projetos educacionais de várias partes do mundo e investimentos de R$ 100 milhões, o grupo inaugura no ano que vem a Concept, um modelo de escola com salas modulares, equipamentos para aulas de robótica e um método de ensino que permite que o aluno desenvolva sua própria “trilha” de interesses para aprender o conteúdo exigido.

As primeiras duas unidades começam a funcionar no ano que vem em Ribeirão Preto (SP) – onde o Grupo SEB iniciou suas atividades, há quase 50 anos – e em Salvador. Em seguida, a meta é chegar a São Paulo, em 2018, e ao Rio de Janeiro, em data ainda a ser definida.

O objetivo é atender à classe A. Em Ribeirão e Salvador, a mensalidade deverá ser de cerca de R$ 3,5 mil; em São Paulo, considerados valores atuais, a mensalidade vai girar em torno de R$ 6 mil. A carga horária será semelhante à do ensino americano, das 7h30 às 15h30. Por um valor extra, estarão disponíveis atividades extracurriculares.

O preço, segundo Zaher, se justifica pelo investimento no desenvolvimento do método e na construção de uma estrutura grande para atender a um número reduzido de alunos. O projeto foi desenvolvido em família. A ideia da Concept foi da esposa do empresário, Adriana Zaher, e será tocado por Thamila Zaher, filha do casal, que está sendo preparada para suceder o pai no comando da SEB.

O desenho final da Concept é resultado de visitas a escolas e governos de países como Suíça, Estados Unidos, Finlândia e Cingapura. O “estilo” finlandês acabou prevalecendo. Profissionais do país estão ajudando a treinar os professores da escola, que trabalharão em regime de dedicação exclusiva.

Sem rótulo

Apesar de ser diferente das escolas tradicionais brasileiras, a família Zaher recusa o rótulo “alternativo” para a Concept. “Nossa ideia é colocar o professor como um importante mediador e o aluno como protagonista do processo de aprendizagem”, explica Thamila. “Mas a escola vai aplicar todos os conteúdos exigidos pelo Ministério da Educação.”

O caminho para que os conteúdos sejam ministrados, no entanto, será diferente. Segundo Thamila, a Concept vai usar o conceito de “trilhas”. Isso quer dizer que, a cada trimestre, aluno e professores vão definir juntos um projeto para que a criança aprenda todos os conteúdos exigidos para o ciclo.

Por mais inovador que seja o projeto, os executivos do Grupo SEB admitem que terão de enfrentar concorrentes de tradição. Em São Paulo, por exemplo, o Concept, em razão de seu preço, bateria de frente com as principais escolas bilíngues.

Para o consultor em educação Carlos Monteiro, o avanço da Concept será passo a passo, uma vez que é difícil convencer pais a tirarem os filhos de escolas tradicionais, por mais que o novo projeto pareça interessante. “Deve-se lembrar que, muitas vezes, o avô, o pai e o filho estudaram no mesmo colégio.”

Segundo Thamila, no entanto, pesa a favor da Concept ter por trás um grupo com quase 50 anos de história em educação. “As pessoas nos conhecem. E só porque temos essa história e essa musculatura, temos condições de fazer uma aposta como essa.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.