Alerta de empresa de petróleo sacode o setor; Brasil em foco

O modo como empresa lidou com preços e licitação de contratos no Brasil teria trazido problemas para a companhia, afirmaram analistas

Milão/Oslo – O alerta inesperado de lucro abaixo do previsto da Saipem, maior empresa de serviços de petróleo da Europa, sacudiu o setor nesta quarta-feira e consumiu bilhões do valor de mercado da empresa italiana.

A Saipem emitiu um alerta sobre os lucros de 2012 na noite de terça-feira e ofereceu nova projeção para os resultados em 2013, com queda de 80 por cento no lucro para cerca de metade do nível que havia sido previsto por analistas.

A consternação reinou entre os analistas durante uma teleconferência tarde da noite de terça-feira, sobre como uma empresa que opera em um negócio que vive um momento de altos preços do petróleo e forte demanda por equipamentos e serviços de engenharia de perfuração poderia dar errado.

Fontes da indústria também disseram que as atividades offshore da empresa no Brasil – um setor aquecido para a indústria, mas um lugar onde fazer negócios tem sido difícil para muitas empresas de serviços – parece ser o cerne de seus problemas.

“Parece que muitas das razões são específicas da Saipem: houve problemas na forma como ela lidou com os preços e com a licitação de contratos, especialmente no Brasil”, disse Petter Narvestad, analista da Fondsfinans em Oslo.

“Há muito tempo se sabe que o Brasil é difícil – a Subsea 7 tem lutado com a rentabilidade lá”.

“A Saipem provavelmente competiu de forma muito agressiva em preço e agora que está executando os projetos, vê que não há tanto dinheiro para ganhar como pensou que seria”.


A Aker Solutions, da Noruega, sofreu muito em 2011, após mau gerenciamento de suas operações submarinas brasileiras.

A empresa lutou com grandes atrasos, estouros de orçamento, problemas de qualidade e má gestão, que arrastou a empresa brevemente para o vermelho.

Analistas dizem que o setor no Brasil está tão aquecido que as empresas muitas vezes ficam ansiosas para ganhar uma fatia do mercado e deixam de levar em conta as condições operacionais difíceis no país, tais como os rigorosos requisitos para usar fornecedores locais.

As ações da Saipem,já sob pressão na terça-feira depois de rumores de que um grande fundo tinha vendido a sua participação, caiu 34 por cento na quarta-feira para 19,97 euros, derretendo cerca de 4,5 bilhões de euros (US$ 6 bilhões) do seu valor de mercado.

As ações da italiana Eni, que controla a Saipem com uma participação de 43 por cento, caíram 4,6 por cento. As ações das concorrentes Subsea 7 e Technip caíram ambas mais de 6 por cento.

Analistas e fontes da indústria disseram que as implicações para outras empresas do setor devem ser limitadas.