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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Além da Lava Jato: as investigações que envolvem JBS e J&F

As Operações Bullish, Greenfield, Carne Fraca e Boi Cui Bono da Polícia Federal também investigam desvios, pagamentos de propina e fraudes na holding

São Paulo – Uma gravação abalou a política e os mercados brasileiros. Joesley Batista, um dos controladores da JBS, gravou o presidente Michel Temer supostamente dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha. Aécio Neves também teria sido gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário para pagar sua defesa na Operação lava Jato.

Com essa informação, o dólar disparou e a Bolsa de Valores desabou e chegou a cair 18,63%. As negociações foram paralisadas por alguns momentos, já que a queda era alta demais.

O governo Temer foi abalado e Aécio Neves, do PSDB, foi afastado do cargo de senador. Sua irmã e primo foram presos. Em nota, Temer negou que tenha pedido ou autorizado pagamentos para conseguir o silêncio de Cunha.

No entanto, a Operação Lava Jato não é a única investigação na qual a companhia está envolvida. As Operações Bullish, Greenfield, Carne Fraca e Cui Bono da Polícia Federal também apuram desvios, pagamentos de propina e fraudes na liberação de recursos públicos envolvendo ações da holding.

Explicar cada uma dessas ações da PF é difícil, já que muitas vezes os personagens envolvidos e as denúncias se cruzam. Além disso, muitas ocorrem ao mesmo tempo.

Além da JBS, a holding J&F também controla as empresas Alpargatas, Vigor, Eldorado Brasil, Banco Original, Oklahoma e Canal Rural. Juntas, todas as companhias somam receitas de R$ 175 bilhões.

Confira abaixo as operações que envolvem a companhia.

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Operação Lava Jato

O capítulo mais novo das investigações contra a holding está no âmbito da Operação Lava Jato. Joesley e seu irmão, Wesley Batista, fecharam acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República por conta das suspeitas sobre contratos realizados com o BNDES.

Ontem, 17, o empresário Joesley Batista entregou à Procuradoria-Geral da República gravações envolvendo o presidente Michel Temer e presidente do PSDB Aécio Neves.

Eduardo Cunha teria dito, em conversa pelo telefone, que “se a JBS delatar, será o fim da República”.

Operação Greenfield

A Lava Jato não é a única operação da Polícia Federal em que a holding está envolvida. Outra investigação é a Operação Greenfield, que apura desvios de R$ 8 bilhões nos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ e Postalis. Quem é investigada é a Eldorado Celulose, que faz parte da holding J&F.

A Funcef, fundo da Caixa Econômica, fez um investimento na Eldorado em 2009, que, segundo a investigação, teria sido superestimado. Ainda que a própria Funcef tenha avaliado o projeto em R$ 552 milhões, ela aceitou o relatório que calculou o valor em R$ 1,1 bilhão.

Os investimentos feitos pelo Petros e Funcef na empresa de celulose foram de R$ 590 milhões. Segundo os investigadores, a J&F teria sido beneficiada pelo PT para a liberação desses recursos. O grupo é um dos principais doadores de campanha do PT.

FI-FGTS

Os aportes feitos pelo fundo de investimento do FGTS também estão sendo investigados. Em delação, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, aliado de Eduardo Cunha, afirmou que a J&F pagou propina de R$ 680 mil para liberar recursos do fundo.

Os recursos, de R$ 960 milhões, teriam sido usados para beneficiar a Eldorado. A PF realizou, em julho do ano passado, buscas na companhia e também na casa de Joesley Batista. Em setembro do ano passado, Wesley Batista e o empresário Walter Torre Junior, fundador e CEO da Wtorre, foram conduzidos coercitivamente à sede da Polícia Federal.

A empresa confirmou a operação da PF e disse que “desconhece as razões e o objetivo desta ação”. “A Eldorado sempre atuou de forma transparente e todas as suas atividades são realizadas dentro da legalidade. A companhia se mantém à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais”.

Na ocasião, a Justiça Federal determinou o afastamento de Wesley e Joesley Batista do comando de qualquer empresa. Em setembro, a JBS anunciou José Batista Júnior como diretor-presidente interino, irmão de Wesley e Joesley.

Para retornar à companhia, os irmãos fecharam um acordo para devolver R$ 1,51 bilhão em seguro-garantia ou em títulos públicos federais, valor atualizado dos R$ 590 milhões que foram aportados entre 2009 e 2010 pela Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica, e pela Petros, dos funcionários da Petrobras.

Operação Carne Fraca

Em abril de 2017, a Polícia Federal realizou a maior operação de sua história, a Carne Fraca. Ela indicou que fiscais teriam recebido propina para emitir certificados de qualidade de diversos frigoríficos e empresas de alimentos processados sem a fiscalização adequada.

Entre os 63 alvos da Operação Carne Fraca, estão funcionários do Ministério da Agricultura em Curitiba, Londrina e em Goiás, além de donos e executivos de frigoríficos e empresas de alimentos processados, entre eles nomes da JBS e da BRF.

A JBS confirmou que a operação investigou três unidades produtivas da companhia, mas afirmou que adota rigorosos padrões de qualidade no Brasil e no mundo. Em comunicados, o frigorífico informou ainda que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos, bem como que sua sede não foi alvo da operação. Além disso, “no despacho da Justiça, não há menção a irregularidades sanitárias da JBS”.

Por conta dessa investigação, um grupo de investidores abriu uma ação conjunta nos Estados Unidos contra a JBS S/A, Wesley Mendonça Batista e Gilberto Tomazoni, ex-presidente da JBS, solicitando compensações financeiras por prejuízos pela aquisição de papéis da companhia.

Operação Bullish

O frigorífico é o principal investigado da Operação Bullish, da Polícia Federal, deflagrada em maio de 2017. A operação investiga fraudes e irregularidades na liberação de apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à JBS.

Os aportes, no valor de R$ 8 bilhões, foram realizados por meio do braço de investimentos BNDESPar entre 2007 e 2011. Entre as irregularidades citadas na investigação estão a compra, pelo BNDESPar, de ações da JBS por valores acima dos praticados pelo mercado e sem exigir as garantias devidas. As irregularidades teriam gerado prejuízo de cerca de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

O juiz federal Ricardo Leite, substituto da 10ª Vara Federal do Distrito Federal e responsável por autorizar a operação, determinou que Wesley e Joesley não poderão fazer qualquer mudança estrutural ou societária nas empresas atuais até a conclusão de relatório da Polícia Federal sobre a legalidade de seus atos.

O grupo alimentício informou que não foi favorecido em qualquer operação financeira envolvendo a BNDESPar. Segundo a JBS, os investimentos do BNDES “obedecem as regras de mercado e estão dentro de todas as formalidades” e foram aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Operação Cui Bono?

A Operação da Polícia Federal, cujo nome em latim significa “A quem beneficia?”, apura esquema de fraudes na liberação de créditos de até R$ 4,3 bilhões junto à Caixa Econômica Federal que teria ocorrido pelo menos entre 2011 e 2013.

A investigação é um desdobramento da Operação Catilinárias, realizada em 15 de dezembro de 2015, quando um celular do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi apreendido.

Mensagens entre Cunha e Geddel Vieira Lima, na época vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, responsável pela liberação desses recursos, indicavam vantagens indevidas em troca da liberação para grandes empresas de créditos junto à Caixa. Isso poderia indicar a prática dos crimes de corrupção, quadrilha e lavagem de dinheiro.

Quando Geddel estava na Caixa, o frigorífico JBS recebeu um financiamento de R$ 1,8 bilhão. Já sua holding, a J&F, recebeu R$ 500 milhões por emissão de debêntures adquirida pela Caixa, movimentação questionada pelo mercado, já que os juros favoreciam a empresa. O grupo Bertin, subsidiário da JBS, contou com R$ 1,6 bilhão para as obras do Rodoanel de São Paulo.

Além da J&F, a Marfrig também estaria entre os envolvidos. A J&F afirmou que todas relações com a Caixa ” são feitas sempre de forma profissional e na mesma forma de concorrência e tratamento com instituições privadas — ou seja, relações comerciais transparentes, abertas e legais”.

A Marfrig disse que “diante das notícias veiculadas hoje pela imprensa, a Marfrig informa que não foi alvo de qualquer medida da Polícia Federal, que a Caixa Econômica Federal ou qualquer um de seus fundos não são acionistas relevantes da Companhia”.

Reestruturação e IPO nos Estados Unidos

Em 2016, a JBS estudava fazer uma reorganização societária e a criação de uma holding que agruparia os negócios internacionais da empresa. No entanto, em outubro ela cancelou os planos depois que o braço de participações do BNDES (BNDESPar) se manifestou contrariamente à proposta. Por conta dos aportes financeiros feitos na JBS, o BNDESPar detém 20,36% das ações da empresa.

Ela então voltou a considerar abrir o capital de subsidiárias. Entre os projetos, estavam o IPO da unidade que tem nos Estados Unidos, a JBS USA, e da Seara (antiga JBS Foods).

Outra decisão da Justiça paralisou esse plano. Depois da Operação Bullish, o juiz Ricardo Augusto Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, proibiu os irmãos Joesley e Wesley Batista de promover qualquer mudança estrutural nas empresas do grupo J&F Investimentos, como inclusão ou exclusão de sócios e abertura de qualquer empresa no Brasil ou no exterior.

Como resposta, Wesley Batista afirmou na ocasião que ainda estaria trabalhando no IPO. “Não mudamos nossa rotina em nada, seguimos nossos planos”, disse. “Nós acreditamos que um IPO no segundo semestre é o momento mais próximo de imaginarmos”, completou.

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