A história da única empresária bilionária do Sudeste Asiático

Empresária vietnamita Nguyen Thi Phuong Thao, de 56 anos, construiu uma companhia aérea avaliada em US$ 1,2 bilhão e uma fortuna de US$ 1,7 bilhão

São Paulo – As mulheres representam uma pequena fatia, de 11%, na lista das pessoas mais ricas do mundo pela lista da Forbes do ano passado, a grande maioria herdeiras de fortunas.

Neste ano, entretanto, um nome engrossará o número das bilionárias, em especial das que fizeram fortuna sozinhas, com o esforço de seus trabalhos: Nguyen Thi Phuong Thao.

A empresária vietnamita de 56 anos lançou, em dezembro de 2011, a primeira companhia aérea do Vietnã para concorrer com a operadora nacional, líder do setor no país. Foram anos de pesquisa de mercado até que a VietJet Air ganhasse espaço – e decolasse a uma altura inimaginável até pela própria empresária.

Em cinco anos, a empresa cresceu a ponto de operar mais de 40% dos voos do país e valer 1,2 bilhão de dólares no mercado, o que atribui a Nguyen um patrimônio líquido estimado de 1,7 bilhão de dólares, o segundo maior do país (o outro bilionário é, claro, um homem), além do posto de única mulher do Sudeste da Ásia com uma fortuna bilionária.

“Sempre fiz grandes negócios, nunca fiz nada em pequena escala”, disse Nguyen em uma entrevista à Forbes nesta semana. ” Quando as pessoas estavam negociando um container (de mercadorias), eu já estava fechando centenas deles”.

Decolagem segura

A ideia do negócio surgiu anos depois de Nguyen ter estudado economia e finanças na antiga União Soviética, na década de 80, e trabalhado com negociação de commodities na Europa Oriental e Ásia.

Ao voltar a seu país de origem, ela seguiu investindo em bancos e comandou projetos comerciais imobiliários e resorts, áreas que lhe deram experiência suficiente para prever um grande aumento por demanda de viagens áreas dentro do país. Foi o estalo para que ela começasse a planejar uma nova rota de investimento.

Pesquisou os modelos usados por companhias aéreas de baixo custo do mundo todo, como Southwest, Ryan Air e AirAsia, e desenhou o que seria o negócio ideal no ramo no Vietnã. Conseguiu a licença para operar em 2007, mas suspendeu os planos em decorrência da alta do petróleo mundial, custo que representa quase metade de uma operação desse porte.

Em 2010, na tentativa de mitigar o risco, fechou uma joint venture com a AirAsia. Não deu certo. No ano seguinte, levantou o primeiro voo sem ajuda de terceiros e, desde então, cresceu rapidamente.

No segundo ano de operação, a VietJet já obteve lucro, graças a derrapada do principal concorrente, a Vietnam Airlines, e ao crescimento do mercado no país, que saltou 29% de 2012 a 2016.

A companhia, listada na bolsa vietnamita desde fevereiro, oferece agora 300 vôos por dia, entre 63 rotas locais e dezenas de internacionais, além de 45 jatos.

Os planos para o futuro, não tão longínquo assim, é ampliar os horizontes, conquistar o mundo. “A VietJet pretende ser uma companhia aérea internacional, não apenas local”, disse a empresária.

Se os ventos forem tão favoráveis quanto foram até agora, Nguyen sabe que com trabalho duro, visão estratégica e ousadia ela é capaz de chegar em qualquer lugar.