WikiLeaks diz que Robert Mugabe tem câncer e pode morrer antes de 2013

O presidente do Zimbábue, Mugabe, de 87 anos, viajou este ano pelo menos cinco vezes à Ásia acompanhado de sua esposa, Grace, por motivos médicos

Harare – O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, sofre um câncer de próstata e pode morrer antes de 2013, segundo um documento diplomático americano filtrado pelo site Wikileaks e divulgado neste domingo pelo jornal zimbabuano “Sunday Mail”.

A transcrição do documento revela uma conversa de 2008 entre o governador do Banco Central do Zimbábue, Gideon Gono, e o então embaixador dos Estadaos Unidos em Harare, James McGee.

“O presidente Robert Mugabe tem um câncer de próstata que se propagou por metástases e que, segundo os médicos, causará sua morte dentro de três ou cinco anos”, comentou Gono a McGee, de acordo com a nota.

“O médico de Mugabe lhe recomendou que reduzisse suas atividades”, acrescenta o documento. No entanto, o governador do Banco Central do Zimbábue negou ter feito esses comentários.

Mugabe, de 87 anos, viajou este ano pelo menos cinco vezes à Ásia acompanhado de sua esposa, Grace, por motivos médicos.

Segundo o porta-voz presidencial, George Charamba, o casal fez essas viagens para uma operação de cataratas à qual Mugabe se submeteu em janeiro e por problemas nas costas de sua esposa por causa de uma queda sofrida em sua mansão de Harare.

Até o momento, o partido de Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), se negou a admitir que o octogenário chefe de Estado tem problemas de saúde.

Mugabe governou o país sozinho e de forma autoritária desde a independência do Reino Unido, em 1980, até a aliança, em um Governo de coalizão, com o Movimento por Mudança Democrática do primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai, em 2009.

Desde novembro de 2010, jornais influentes de vários países tiveram acesso a centenas de milhares de documentos do Departamento de Estado americano filtrados pelo Wikileaks.

O site, dedicado a revelar documentos oficiais secretos, publicou no final de agosto 134 mil notas da diplomacia americana nas quais, ao contrário do que fazia em divulgações anteriores, revela a identidade de fontes protegidas.