Vohra, do Partido Libertário: opção a Trump e a Hillary

Thiago Lavado

A política nos Estados Unidos é conhecida pela divisão entre republicanos e democratas, mas vez por outra algum outro partido consegue seus 15 minutos de fama. O Partido Libertário, que existe desde o começo dos anos 1970, tem em 2016 um desses momentos de brilho, impulsionado pela forte rejeição a Donald Trump e Hillary Clinton. Gary Johnson, o candidato libertário, tem entre 13% e 14% das intenções de voto. Com 15%, ele teria direito de participar dos debates, o que não acontece desde 1992. EXAME Hoje conversou com o vice-presidente do Partido Libertário, o economista Arvin Vohra, sobre a ambição do partido e a divisão na política americana.

Quais as principais propostas do partido para este ano?
O Partido Libertário busca reduzir o tamanho e poder do governo. Queremos parar as empreitadas militares no exterior, trazer as tropas de volta pra casa, ao mesmo tempo em que buscamos eliminar sanções comerciais, para que possamos nos empenhar em negócios e trocas, ao invés de guerras e novos inimigos. Nós também queremos acabar com a guerra às drogas, para que as pessoas possam resolver desentendimentos desse tipo nos tribunais, em vez de recorrer à violência. Queremos tirar o governo da educação, para que possamos ter uma educação individualizada, de baixo custo e alta competição. Diminuir o tamanho do governo é necessário para que possamos exercer nossas liberdades individuais.

Gary Johnson tem a ambição de chegar até onde?
O nosso plano maior é ter certeza que as pessoas entendam o que Gary Johnson está oferecendo e quão efetivo isso é. Ele fala sobre eliminar imposto de renda, o que atrairia negócios, corporações e empreendedores para os Estados Unidos. Ele também tem falado em legalizar a maconha e acabar com a guerra ao tráfico, o que diminuiria a violência e a criminalidade. Nosso foco número um é levar essa mensagem adiante, sobre o quão diferente a candidatura é. Nenhum dos outros candidatos dos partidos maiores está sequer falando sobre esses assuntos. Em termos de estados específicos, nossa campanha mira nos estados em que há maior chance de entrar e trazer votos eleitorais.

Gary Johnson tem dito que está próximo de atingir 15% das intenções de votos. Quais são os planos para expandir suporte?
Estamos bem próximos. Nosso objetivo é expandir a base sobre os apoiadores de Bernie Sanders que não querem dar apoio a Hillary Clinton ou sobre republicanos que estavam inicialmente excitados com a mensagem anti-status quo de Trump, mas agora estão desanimados porque ele começou a falar sobre aumentar o governo. Muitas pessoas que estavam dando suporte para Trump estão vindo para o nosso lado porque perceberam que Gary Johnson é o verdadeiro candidato que vai lutar contra o status quo. Meu próprio pai está no meio dessas pessoas. A maioria delas está cansada do poder do governo e gostariam de ver esse escopo reduzido.

Muitos membros do Partido Libertário já foram republicanos, o próprio Gary Johnson foi governador do Novo México pelo Partido Republicano. Os republicanos e democratas estão perdendo apoio?
O Partido Republicano nunca cumpriu à risca suas promessas de cortar o tamanho do governo, mas no passado eles ao menos falavam sobre isso. Por exemplo, o ex-presidente Ronald Reagan uma vez disse que o libertarianismo era a alma e o coração do conservadorismo. Hoje em dia o partido sequer fala disso. Os republicanos seguiram uma direção totalmente diferente e aqueles que queriam governo mínimo estão vindo para o nosso partido. A mesma coisa para o lado democrata: há muitos democratas que querem ver o fim da guerra às drogas e o fim das intervenções militares. Muitos estiveram do lado de Bernie Sanders, outros vieram para o lado de Gary Johnson.

Nos Estados Unidos o sistema de colégio eleitoral torna muito difícil para partidos menores acompanharem os grandes. Como vocês lidam com isso?
Há muitas leis contra as quais lutamos, porque são legislações feitas para impedir candidatos libertários. Algumas dessas leis exigem a coleta de centenas ou milhares de assinaturas apenas para que um candidato esteja na cédula eleitoral. Isso é algo que republicanos e democratas não têm que lidar. Estamos atuando em lobbys e ações legais contra essas leis e estamos vendo progressos. Por exemplo, no estado de Oklahoma foi a primeira vez em 20 anos que pudemos registrar eleitores, votar em libertários e até abrir escritórios de campanha. Estamos lutando contra esses pequenos truques que mantém os libertários de fora das eleições.

Quais são os planos para as próximas eleições? O que está no horizonte do partido?
Estamos tendo muita atenção, voluntários e o nosso objetivo é usar essa atenção para construir ainda mais a nossa infraestrutura, ter um maior alcance midiático e melhores conexões. Isso vai nos ajudar a trabalhar em nível local e ter mais membros eleitos. O mais importante é usarmos nossa crescente pressão política e eleitoral em referendos que reduzam o escopo do governo. É algo que temos feito com sucesso nos últimos anos. Estamos envolvidos em vários referendos pela legalização da maconha, por exemplo. Gary Johnson já apoiou formalmente essa causa em 2012 e há vários libertários trabalhando com grupos pró-legalização. É uma grande época para construir o partido e aumentar o nosso alcance.