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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Vilarejo irlandês se prepara para celebrar posse de Trump

Em 2014, Trump adquiriu por 8,7 milhões de euros um campo de golfe, no qual injetou 53 milhões de euros para reformar e renovar o local

Na costa oeste da Irlanda, assolada pelos ventos, o vilarejo adormecido de Doonbeg se prepara para comemorar com pompa a posse de Donald Trump, o mecenas local.

No pub da rua principal do vilarejo, Tommy Tubridy, dono do estabelecimento, desenha com habilidade as iniciais “DT” no colarinho da cerveja que serve aos habitantes, majoritariamente fãs do bilionário americano que investiu dezenas de milhões de euros em Doonbeg, criando centenas de empregos.

“Ele é muito popular aqui na região, 99,9% das pessoas votariam em Trump aqui”, garante Tubridy à AFP.

Doonbeg significa “pequena fortaleza” em gaélico irlandês, e em muitos aspectos o vilarejo se assemelha a um feudo do próximo presidente dos Estados Unidos.

Em 2014, Trump adquiriu por 8,7 milhões de euros um campo de golfe, no qual injetou 53 milhões de euros para reformar e renovar o local.

O complexo emprega cerca de 300 pessoas no verão -Doonberg tem 900 habitantes-, trazendo boa renda às lojas, bares e restaurantes deste cantinho de terra irlandês duramente atingido pela austeridade.

Pechincha

Apesar de Trump definir o investimento feito na região como “pechincha” -o preço pago pelo complexo de fato é considerado como particularmente baixo e reflexo da crise imobiliária que atingiu o país-, os habitantes de Doonbeg lhe são muito gratos.

Principalmente porque a falta de infraestrutura -as estradas são pequenas e esburacadas, as redes telefônicas e de internet instáveis- sempre foi uma desvantagem para a região, prejudicando o desenvolvimento econômico.

“É extremamente importante para todo mundo no condado de Clare, não somente para Doonbeg”, garantiu à AFP John O’Dea, presidente do Doonbeg Community Development, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo promover o comércio no vilarejo.

A eleição do magnata americano trouxe a esperança de um desenvolvimento ainda maior do complexo de golfe, com a expectativa da construção de uma piscina e de um centro de convenções. O anúncio, porém, da intenção de Trump de deixar o comando de suas empresas para evitar conflitos de interesse também traz incertezas e dúvidas.

No restante do país, que historicamente tem laços estreitos com os Estados Unidos, as reações após a vitória do republicano foram muito menos entusiastas.

“O mundo acordou na quarta-feira mais sombrio, mais assustador e mais ameaçador”, escreveu Pat Leahy, correspondente político do Irish Times, no dia seguinte à eleição de 8 de novembro, uma terça-feira.

“Primeiro o Brexit, em seguida Trump. O mundo está mudando rapidamente em direções que provavelmente iremos lamentar”, completou.

Trump questionado

Até em Doonbeg Trump chegou a ser questionado, ao solicitar uma permissão de construção para erguer uma barreira rochosa contra a erosão do litoral, no intuito de proteger o campo de golfe.

Seus críticos não hesitaram em evidenciar a ironia pelo fato do pedido fazer referência aos riscos de inundação provocados pelas mudanças climáticas, em um momento em que Donald Trump discursava em sua campanha como um “climatocético”.

Após meses de luta com defensores do meio ambiente e autoridades locais, Trump se viu obrigado a renunciar em dezembro ao projeto, que ocuparia três quilômetros de praia, tendo que se contentar com uma instalação subterrânea mais modesta.

Este contratempo, porém, não será capaz de estragar a festa agendada para 20 de janeiro em Doonbeg. E há uma cereja no bolo: os bisavôs de Mike Pence, vice-presidente eleito, são nativos do vilarejo irlandês.

Para Suzanne Tubridy, filha do dono do pub, a eleição de Trump “colocou Doonbeg no mapa”. O pequeno vilarejo será “o lugar para se estar” no momento em que Barack Obama passar o bastão para Donald Trump, afirma.