Últimos moradores da zona rebelde de Aleppo aguardam retirada

Mais de 25.000 pessoas já foram retiradas de Aleppo desde 15 de dezembro, mas ainda restam alguns milhares de moradores

Os últimos habitantes do reduto rebelde no leste de Aleppo aguardavam nesta quarta-feira, sob a neve, o momento de deixar a localidade, o que permitirá ao regime de Bashar al-Assad proclamar a “libertação” total da segunda maior cidade da Síria.

Mais de 25.000 pessoas já foram retiradas de Aleppo desde 15 de dezembro, mas ainda restam alguns milhares de moradores.

O processo de evacuação da zona leste da cidade acontece a um ritmo irregular e no fim de semana passado chegou a ser suspenso, após divergências entre as partes a respeito da retirada de moradores de duas localidades xiitas cercadas pelos rebeldes na província vizinha de Idlib.

O fim do processo de retirada significará a vitória militar mais importante do governo sírio desde 2011, quando teve início a guerra devastadora, que provocou a morte de 310.000 pessoas e o deslocamento de metade da população do país.

“Durante o amanhecer, 150 pessoas a bordo de dois ônibus e três ambulâncias que transportavam feridos deixaram o reduto rebelde de Aleppo”, afirmou à AFP Ahmad al-Dbis, chefe de uma unidade de médicos e voluntários que coordena a retirada em Khan al-Assal, primeiro ponto de chegada em território rebelde dos moradores de Aleppo.

Um comboio de 31 ônibus e 100 veículos particulares se preparava para sair de Aleppo, indicou Al-Ddbis.

No bairro governamental de Ramusa, pelo qual passam os ônibus envolvidos na operação, nenhum comboio foi observado depois daquele que saiu ao amanhecer, de acordo com um correspondente da AFP.

A questão de Fua e Kafraya

Mais de 25.000 pessoas, rebeldes e civis, abandonaram Aleppo desde 15 de dezembro, de acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Milhares de moradores ainda aguardam a transferência para outros pontos da cidade.

A demora para a retirada é motivada pela necessidade de sincronizar as saídas de Aleppo com as das localidades xiitas de Fua e Kafraya, na província de Idlib, cercadas pelos rebeldes, informou à AFP uma fonte militar síria.

“Mais de 1.700 pessoas esperam para sair de Fua e Kafraya”, disse a fonte.

O acordo, com mediação da Rússia, Turquia e Irã, prevê que as saídas de Aleppo e das duas localidades xiitas devem acontecer de maneira simultânea.

A fonte militar síria espera a conclusão da retirada dos últimos moradores da parte rebelde de Aleppo nesta quarta-feira.

Mas com os últimos atrasos e dificuldades, algumas fontes acreditam que será necessário esperar um pouco mais.

Os moradores, incluindo mulheres, crianças e idosos, aguardavam sob a neve para deixar a cidade na qual viveram cercados por meses, em meio a bombardeios dos aviões sírios e russos.

Outra fonte militar síria disse à AFP que o exército deseja “limpar rapidamente a zona após a saída dos homens armados”.

Na segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade o envio de 20 observadores “nacionais e internacionais” para supervisionar a retirada e informar sobre a situação dos civis.

A crise síria parece ter ficado nas mãos da Rússia e Irã, aliados indefectíveis do regime sírio, e da Turquia, que apoia os rebeldes, após a reunião dos ministros das Relações Exteriores das três nações na terça-feira em Moscou, sem a presença dos Estados Unidos nem das potências europeias.

Os três países afirmaram que são favoráveis a um cessar-fogo “ampliado” na Síria e que estavam dispostos a atuar como “avalistas” das conversações de paz que a ONU diz preparar para fevereiro em Genebra.