Tropas francesas chegam a Kidal e controlam aeroporto

Desde o dia 11 o exército francês, com o apoio de forças malinesas, realiza ataques aos grupos salafistas que controlavam o país desde junho de 2012

Bamaco – Tropas do Exército francês tomaram o controle nesta quarta-feira do aeroporto de Kidal, a única cidade do norte do Mali que ainda não foi recuperada pelas tropas franco-malinesas e onde separatistas tuaregues asseguram que expulsaram os grupos radicais islâmicos.

Uma fonte da segurança malinesa confirmou à Agência Efe que o exército do Mali continua em Gao e em Timbuktu, as outras duas grandes cidades do Norte reconquistadas graças às forças francesas, e para onde se deslocou a chefia do Estado-Maior do Exército junto com um alto funcionário militar francês, cuja identidade a fonte não revelou.

A mesma fonte acrescentou que tropas do Chade da missão internacional de apoio ao Mali (Afisma) estão na entrada de Kidal, mas que não há nenhuma ordem, por enquanto, para entrarem na cidade, antigo reduto do grupo salafista Ansar al Dine.

Desde o dia 11 o exército francês, com o apoio de forças malinesas, realiza ataques aos grupos salafistas que controlavam o país desde junho de 2012.

O porta-voz do separatista Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA), Mosa Ag Attaher, afirmou hoje à Agência Efe que os militares franceses que chegaram a Kidal se reuniram com os responsáveis militares desse grupo, que liderou a rebelião tuaregue até que foi derrotado por Ansar al Dine e outros grupos fundamentalistas.

“Os franceses chegaram ontem ao meio-dia e à tarde e foram recebidos pela população de Kidal com as bandeiras do MNLA e de Azauade e, depois, pelos responsáveis do Estado-Maior militar do MNLA”, descreveu Ag Attaher.


O porta-voz acrescentou que “os (militares) franceses estão falando hoje com dirigentes do Estado-Maior do MNLA para encontrar a melhor forma de se organizar para a ação” nos locais sob controle do grupo tuaregue.

Ag Attaher, que está em Burkina Fasso, país onde tentou fazer mediação entre as autoridades de Bamaco e dos rebeldes, ressaltou que seu grupo está tentando “reativar o mais rápido possível as negociações” com o governo malinês através da Comunidade Econômica dos Estado da África Ocidental (Cedeao).

Neste sentido, também advertiu que enquanto não se chegar a um acordo político em que se defina o “papel e a responsabilidade de cada parte nas operações” da luta antiterrorista, e no qual se “determine também o estatuto jurídico e político de Azauade, não haverá nada com Mali”.

Além disso, declarou que o envio de tropas malinesas às zonas sob controle do MNLA será considerado como uma declaração de guerra.

O Ministério das Relações Exteriores francês declarou hoje em comunicado que “só um diálogo norte-sul permitirá preparar a volta do Estado malinês ao norte do país”, embora não tenha dado mais detalhes ou confirmado que o encontro aconteceu.

O MNLA, que em abril passado declarou unilateralmente a independência do estado de Azauade (Gao, Kidal e Timbuktu), parece ter renunciado a suas aspirações de autodeterminação e insiste agora na criação de um estado federal malinês.

O grupo liderou em janeiro de 2012 a insurreição tuaregue do norte do Mali que no final de março conseguiu tomar o controle das províncias de Kidal, Gao e Timbuktu, que constituem a região conhecida como Azauade, um território de 850 mil quilômetros quadrados.


Em 6 de abril, o MNLA proclamou unilateralmente o Estado de Azauade mas, em junho, se viu expulso pelas armas do grupo salafista Ansar al Dine, que contava com o apoio de combatentes do Monoteísmo e Jihad na África Ocidental (MYAO) e Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI).

Em 4 de dezembro, representantes da Ansar al Dine, do MNLA e do governo do Mali se comprometeram em Burkina Fasso a iniciar um processo de diálogo, que foi desperdiçado em a princípios de janeiro após a ofensiva liderada por Ansar al Dine.

Ontem, o primeiro-ministro interino, Django Sissoko, prometeu perante a Assembleia Nacional “a libertação total do território no menor tempo possível, o retorno da Administração e a inauguração rápida de um diálogo intercomunitário”.

Além disso, anunciou a criação de uma Comissão para o Diálogo e a Reconciliação, durante uma reunião extraordinária na qual vários deputados manifestaram sua rejeição a manter um diálogo com o MNLA – que consideraram a origem da atual crise que o país sofre.