Suicídio e abandono infantil: questões da crise na Europa

Mídia internacional denuncia aumento no caso de abandono de crianças e aponta que algumas pessoas estão com condições financeiras tão ruins, que preferem morrer

São Paulo – Pacotes de austeridade, PIB reduzido e dívidas altas e difíceis de serem pagas são apenas a parte “econômica” da crise na zona do euro. A situação de alguns países, em especial a Grécia, tem criado grandes problemas sociais, como apontam veículos internacionais.

Uma dessas questões já começa a ser aparente e ganhou um apelido grave na mídia europeia: “suicídio econômico”.

O The Washington Post apresentou o problema que está acontecendo na Grécia e na Itália. Eles contaram a história de Antonis Perris, um músico que deixou de ter condições sustentar a si e a sua mãe de 90 anos de idade. Juntos, pularam do topo de seu prédio para se suicidar, culpando a situação econômica.

Além da questão dos suicídios, lembra a reportagem do Washington Post, especialistas internacionais têm alertado para a deterioração da saúde mental da população ao passo de que a crise piora.

Outro problema social também foi detectado. Na Grécia, têm aumentado o número de crianças abandonadas ou levadas para adoção.

O The Guardian, por exemplo, apresentou a história de Dimitris Gasparinatos, pai de seis meninos e quatro meninas. Mesmo antes da crise, ele, que mora na Grécia, já não tinha facilidade em sustentar os filhos. Com a crise e afundados em dívidas, Gasparinatos e sua esposa decidiram levar para a adoção três de seus filhos e uma das filhas.

Além de encaminhar para adoção, a BBC trouxe casos de abandono de crianças. Numa das histórias, uma professora conta que encontrou um bilhete em um de seus alunos. O recado, assinado pela mãe, pedia que a professora cuidasse da criança, já que ela não tinha mais condições.

A agência de notícias britânica também contou a história de um padre grego que encontrou três crianças abandonadas na escadaria da igreja, algo que, segundo ele, nunca havia acontecido.